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silêncio e atenção como produto

O mercado que vende atenção é medido até o último centavo, e o mercado que promete proteger a atenção cabe numa linha de estimativa.

por Marcus Yabe · publicado em · atualizado em · leitura de 9 minutos

Silêncio e atenção como produto é a oferta comercial que cobra por ausência em vez de cobrar por acesso: desconexão, privacidade, foco e tempo sem interrupção vendidos como item de linha, com preço. Segundo o Global Wellness Institute, o sub-segmento que reúne parte dessa oferta somava US$ 107,0 bilhões em 2024. A linha de meditação e atenção plena somava US$ 7,1 bilhões.

No século XX, marca cara era marca que dava acesso: à sala, à lista, à peça fora da vitrine. Parte das ofertas mais caras do século XXI vende o contrário: a retirada do estímulo.

O que este texto acrescenta é a régua. O mercado que compra atenção humana é apurado impressão por impressão, com leilão em tempo real, painel auditado e taxonomia publicada. O mercado que promete devolver atenção aparece como uma linha de estimativa dentro de um relatório pago por quem ele mede.

Por que a ausência virou produto com preço

Vender ausência é cobrar pelo que foi retirado do ambiente: ruído, luz, notificação, presença de terceiros. É o inverso da lógica de acesso, que cobra pelo que foi acrescentado. A diferença muda o que a marca precisa provar. Acesso se demonstra com uma porta. Ausência só se demonstra com medida.

Três artigos desta seção chegam perto e param antes. O de tempo como ativo de luxo mede quanto tempo as pessoas têm no Brasil e mostra distribuição desigual por sexo antes de por renda. O de fadiga digital e a volta da presença física mostra que o uso de tela não cai e que o que encareceu foi o comparecimento. O do hotel que vende sono trata do descanso como promessa de hospedagem.

Este pergunta quanto custa cada lado do mercado de atenção, e por que só um tem contabilidade fina.

O que o instituto conta quando escreve sentidos, espaços e sono

Segundo o Global Wellness Institute, o bem-estar mental movimentou US$ 268,3 bilhões em 2024 e cresce 12,4% ao ano desde 2019, a segunda taxa mais alta dos onze setores que o instituto mede. A projeção para 2029 é de US$ 434,6 bilhões. O setor se divide em quatro linhas de tamanho desigual.

A maior delas é a que interessa aqui. O instituto a chama de sentidos, espaços e sono e a define por quatro canais: som, com cura sonora, ruído branco, cancelamento de ruído e música de bem-estar; aroma; luz, com iluminação circadiana e terapia de luz; e toque, com cobertor pesado e objeto antiestresse. Parte dessa despesa se sobrepõe a wellness real estate e a medicina tradicional, e o relatório diz contabilizar o cruzamento.

Onde está o dinheiro que promete proteger atenção, nome literal do GWI2024, US$ bi2019 a 2024, ao ano
Senses, Spaces, & Sleep107,012,5%
Brain-Boosting Nutraceuticals & Botanicals93,413,3%
Self-Improvement60,810,1%
Meditation & Mindfulness7,118,9%

Uma advertência de leitura: a porção de sono, de US$ 73,0 bilhões, está contida na primeira linha e não é uma quinta; somar as duas duplica a mesma despesa.

Por que meditação é a menor linha de um setor chamado saúde mental

Meditação e atenção plena somam US$ 7,1 bilhões em 2024, segundo o Global Wellness Institute. É a menor das quatro linhas do bem-estar mental, equivale a 2,6% de um setor de US$ 268,3 bilhões e é um décimo do gasto mundial com termas. A prática que dá nome ao movimento é a menor linha da conta.

Ela é também a que cresce mais rápido, com 18,9% ao ano desde 2019, então a leitura honesta não é de declínio. É de escala. Aplicativo e aula custam pouco por unidade; cobertor pesado, luminária circadiana, fone com cancelamento de ruído e cabine acústica custam muito. Quando o mercado precifica atenção protegida, o dinheiro vai para o objeto, não para a prática.

Há um segundo dado, que não explica o tamanho da linha mas qualifica a promessa. Das quatro, meditação é a única com revisão sistemática publicada, e o que a revisão mostra é modesto. Na revisão de Goyal e colegas, na JAMA Internal Medicine de 2014, foram triadas 18.753 citações e incluídos 47 ensaios com 3.515 participantes.

Evidência moderada de melhora em ansiedade, com tamanho de efeito de 0,38 em oito semanas e 0,22 em três a seis meses; em depressão, 0,30 e 0,23; em dor, 0,33. Evidência baixa para estresse. E a conclusão que o número de mercado não carrega: não houve evidência de que os programas fossem melhores que qualquer tratamento ativo, o que inclui medicamento, exercício e terapia comportamental.

A revisão maior chega ao mesmo lugar por outro caminho. Galante e colegas, na PLOS Medicine de 2021, reuniram 136 ensaios randomizados com 11.605 participantes em 29 países. Contra controle passivo, os programas melhoram ansiedade, depressão e sofrimento psíquico. Contra controle ativo específico, não há superioridade estatisticamente significativa. Havia alto risco de viés em boa parte dos 136 ensaios, e a confiança na evidência, pelo método GRADE, ficou entre moderada e muito baixa: excluídos os ensaios de maior risco, só o efeito sobre sofrimento psíquico permanece.

A literatura recente começou a contar o outro lado. Farias e colegas, na Acta Psychiatrica Scandinavica de 2020, revisaram 83 estudos com 6.703 participantes e acharam prevalência de eventos adversos de 8,3%, com intervalo de 95% entre 5% e 12%, sendo 3,7% em experimentais e 33,2% em observacionais. Os mais relatados foram ansiedade, com 33%, depressão, com 27%, e anomalias cognitivas, com 25%.

Quanto custa vender atenção no Brasil, e quanto custa protegê-la

Segundo o Cenp, o investimento em mídia nacional contratada por agências participantes somou R$ 26,3 bilhões em 2024, alta de 12,17% sobre 2023, num painel de 339 agências. Segundo o IAB Brasil com a Kantar IBOPE Media, só a publicidade digital brasileira somou cerca de R$ 37,9 bilhões no mesmo ano.

Do outro lado da conta, o Brasil é o 10º mercado mundial de bem-estar mental, com US$ 4,90 bilhões em 2024, alta de 12,7% sobre 2023 e de 9,6% ao ano no quinquênio, abaixo dos 12,4% ao ano do mercado mundial de bem-estar mental. Convertido pela cotação média de venda do dólar do Banco Central em 2024, de R$ 5,3920 sobre 253 cotações, dá cerca de R$ 26,4 bilhões, em cálculo da amano.

Os dois números empatam. O que o mercado publicitário movimentou por agências em 2024 tem o tamanho do setor brasileiro inteiro de bem-estar mental, e a publicidade digital sozinha é 1,4 vez maior. E nem todo o bem-estar mental protege atenção: sentidos, espaços e sono são 40% dele no agregado global.

R$ 37,9 bi
Investimento em publicidade digital no Brasil em 2024, alta de 8% sobre 2023, estimado a partir de coleta direta em mais de 1.600 sites em banner e vídeo e de metodologia de parceiros para busca e social.
IAB Brasil com Kantar IBOPE Media, Digital AdSpend 2025, ano-base 2024
US$ 7,1 bi
Meditação e atenção plena em 2024, a menor das quatro linhas do bem-estar mental, ou 2,6% de um setor de US$ 268,3 bilhões.
Global Wellness Institute, Global Wellness Economy Monitor 2025
8,3%
Prevalência de eventos adversos em prática de meditação, em revisão de 83 estudos com 6.703 participantes, de 3,7% em experimentais a 33,2% em observacionais.
Farias et al., Acta Psychiatrica Scandinavica, 2020

A diferença que importa não é de tamanho, é de qualidade da régua. O painel do Cenp mede faturamento de pedidos de inserção efetivamente veiculados, coletado por sistemas homologados de sete casas de software, acompanhado por um núcleo técnico de anunciantes, agências, veículos e elos digitais, com análise de integridade por auditoria externa. O IAB declara coleta, cobertura, taxonomia e método de preço.

Do outro lado, os US$ 4,90 bilhões são estimativa de um instituto setorial, num relatório sustentado por 17 patrocinadores da própria indústria, com tabela de patrocínio publicada a partir de US$ 19.900. O instituto vende à parte relatórios de país, na série Geography of Wellness, com parceria exclusiva a partir de US$ 25.000 por ano, e o Brasil não está entre os oito países com relatório publicado. Nada disso invalida o número. Define o que ele é.

O que a evidência diz sobre ruído e desempenho cognitivo

Existe evidência quantificada de que ruído cobra preço cognitivo, e o escopo dela é estreito. A Organização Mundial da Saúde estimou, em 2011, que a Europa ocidental perde ao menos 1 milhão de anos de vida saudável por ano com ruído relacionado ao tráfego. A parcela de prejuízo cognitivo em crianças é de 45.000 anos.

No mesmo cálculo, a organização atribui 61.000 anos a doença isquêmica do coração e 22.000 a zumbido. A base de exposição do item cognitivo é sueca, extrapolada para a faixa de 7 a 19 anos.

A medição direta existe e tem nome. O estudo RANCH, de Stansfeld e colegas, na Lancet de 2005, volume 365, páginas 1942 a 1949, avaliou 2.844 de 3.207 crianças de 9 e 10 anos em 89 escolas da Holanda, da Espanha e do Reino Unido, no entorno de três grandes aeroportos. Houve associação linear entre exposição crônica a ruído de aeronave e piora de compreensão de leitura, com p de 0,0097, e de memória de reconhecimento, com p de 0,0141, após ajuste por escolaridade da mãe, nível socioeconômico, doença longa e isolamento acústico da sala.

O mesmo estudo entrega o contraponto. Ruído de tráfego rodoviário apareceu associado a aumento de memória episódica, não a piora, e nem aeronave nem tráfego afetaram atenção sustentada, saúde autorrelatada ou saúde mental geral. O efeito não é perda genérica de atenção. É específico, e a especificidade é o achado.

Na revisão de Klatte, Bergström e Lachmann, na Frontiers in Psychology de 2013, artigo 578, está o dado mais útil para quem projeta ambiente: crianças precisam de relação sinal-ruído de 5 a 7 decibéis maior que adultos para identificar fala sob ruído estacionário. Num teste de recordação seriada com som irrelevante, relatado ali a partir de Elliott, 2002, a queda foi de 39% entre alunos de segundo ano e de 11% entre adultos.

Sobre telas, o escopo vem na mesma frase. O relatório da OECD How's Life for Children in the Digital Age?, de 15 de maio de 2025, trata de crianças e adolescentes, com indicadores comparáveis apurados aos 15 anos, e não sustenta afirmação sobre adulto. A própria OECD registra que "the causal relationship between the use of digital devices and psychological well-being is complex and is not yet fully understood" e que a pesquisa populacional "often shows only moderate effects and is mainly correlational".

Curitiba escreveu o silêncio em decibel em 2002

O contraponto brasileiro não está no mercado, está na lei municipal. A Lei nº 10.625, de 19 de dezembro de 2002, de Curitiba, define o silêncio em número e em horário. Divide o dia em diurno, das 7h01 às 19h, vespertino, até as 22h, e noturno, com teto sonoro por zona.

Os valores do Anexo I vão de 45 a 70 decibéis. Nas zonas residenciais mais protegidas, o teto é de 55 dB(A) no diurno, 50 no vespertino e 45 no noturno. Na faixa intermediária, 60, 55 e 50. Na central e de uso misto, 65, 60 e 55. Nas de serviço e industriais, 70, 60 e 60. A cidade que abriga esta casa define o silêncio em unidade física, por zona de uso e por horário.

O que não existe é régua nacional. A Prefeitura de São Paulo publica em portal oficial os números do Programa de Silêncio Urbano, com 32.722 solicitações atendidas em 2023 contra 14.677 em 2019 e R$ 9,1 milhões em multas, mas o comunicado não declara metodologia nem data-base e não há série comparável entre capitais. O achado não é que o número não exista. É que uma capital publica e o país não tem padrão.

Os valores setoriais vêm do capítulo de bem-estar mental do Global Wellness Economy Monitor 2025, figura 4.4 e páginas 6, 39 a 45 e 126. São estimativas de entidade setorial, não estatística oficial. Os valores de publicidade vêm do painel do Cenp e do Digital AdSpend do IAB Brasil com a Kantar IBOPE Media, que não são comparáveis entre si: um mede mídia contratada por agências participantes, o outro estima o investido em canais digitais monitorados. Os dois painéis já têm edição de 2025, com R$ 28,9 bilhões no Cenp e R$ 42,7 bilhões no IAB; aqui se usa 2024 para casar com a base do Monitor 2025.

Onde a promessa é maior que a prova

Cinco ressalvas mantêm este texto longe de um argumento de venda: a do próprio instituto que produz o número central, a da comparação entre moedas, a do que as revisões de meditação de fato mostram, a do escopo estreito da evidência de ruído e a do que falta em fonte brasileira.

A ressalva do instituto está nas páginas 44 e 45 do Monitor 2025, em texto literal: "By measuring the size of the mental wellness industry, we are not assessing the mental wellness of the global population... we cannot interpret a large and growing mental wellness sector as implying that people are feeling more mentally well." Em português: medir o tamanho da indústria não é avaliar o bem-estar da população, e um setor grande e crescente não permite concluir que as pessoas estejam melhor.

A comparação entre publicidade e bem-estar mental é indicativa, não contábil: moedas, definições e coletas são diferentes. A conversão para cerca de R$ 26,4 bilhões usa a média de 2024 do dólar de venda do Banco Central e é cálculo da amano. O IAB estima preço por CPM em vez de coletar faturamento.

Sobre meditação, o texto não afirma que a prática não funciona. Afirma o que as revisões dizem: efeito pequeno a moderado contra controle passivo, sem superioridade sobre tratamento ativo, alto risco de viés em boa parte dos ensaios de 2021 e 8,3% de eventos adversos. Nada disso é orientação clínica, e esta casa não prescreve.

Fica o que sobra: o mercado que vende atenção é medido até o último centavo, e o que promete proteger a mesma atenção cabe numa linha de estimativa de US$ 7,1 bilhões, num relatório pago pela indústria que ele mede. Quem quiser vender silêncio com credibilidade terá de fazer o que a lei de Curitiba faz desde 2002: dizer o número, a unidade e o horário.

perguntas frequentes

o que significa vender silêncio e atenção como produto

Significa cobrar por ausência em vez de cobrar por acesso. O Global Wellness Institute agrupa parte dessa oferta no sub-segmento de sentidos, espaços e sono, que inclui som, aroma, luz e toque, e estima esse conjunto em US$ 107,0 bilhões em 2024, com alta de 12,5% ao ano desde 2019.

quanto vale o mercado de meditação e atenção plena no mundo

O Global Wellness Institute estima US$ 7,1 bilhões em 2024. É a menor das quatro linhas do bem-estar mental, equivale a 2,6% de um setor de US$ 268,3 bilhões e é um décimo do que o mundo gasta em termas e águas minerais, estimadas em US$ 71,7 bilhões no mesmo ano.

quanto o Brasil investe em publicidade digital por ano

Segundo o IAB Brasil com a Kantar IBOPE Media, no Digital AdSpend de ano-base 2024, foram cerca de R$ 37,9 bilhões, alta de 8% sobre 2023. A estimativa combina coleta direta em mais de 1.600 sites em banner e vídeo, metodologia de parceiros para busca e social, e preço por CPM ajustado pelo tipo de venda.

existe evidência de que ruído prejudica o desempenho cognitivo

Existe, e com escopo estreito. No estudo RANCH, publicado na Lancet em 2005, com 2.844 crianças de 9 e 10 anos em 89 escolas da Holanda, Espanha e Reino Unido, houve associação linear entre ruído de aeronave e piora de compreensão de leitura. Atenção sustentada não foi afetada.

a meditação tem evidência científica forte

Tem evidência moderada e limitada. Na revisão de Goyal e colegas, na JAMA Internal Medicine de 2014, com 47 ensaios e 3.515 participantes, os efeitos sobre ansiedade, depressão e dor foram pequenos a moderados, e não houve evidência de superioridade sobre tratamento ativo, como exercício ou terapia comportamental.

Retrato de Marcus Yabe
sobre o autor

Marcus Yabe

sócio-fundador · estratégia e criatividade

Trabalha no encontro entre estratégia, comunicação, negócios, conteúdo e relações. Foi CEO do LIDE Paraná, diretor executivo da Paraná Business e publisher da TOPVIEW.

fontes
  1. Global Wellness Institute, Global Wellness Economy Monitor 2025, capítulo de bem-estar mental, figura 4.4 e páginas 6, 39 a 45 e 126
  2. Global Wellness Institute, tabela pública de patrocínio de pesquisa
  3. Global Wellness Institute, Geography of Wellness, página de parceria de país
  4. Cenp, Painel Cenp-Meios, ano de 2024, divulgado em 27 de março de 2025
  5. Cenp, Painel Cenp-Meios, ano de 2025, com metodologia declarada
  6. IAB Brasil com Kantar IBOPE Media, Digital AdSpend 2025, ano-base 2024
  7. Banco Central do Brasil, série PTAX de cotação do dólar, ano de 2024
  8. Organização Mundial da Saúde, Burden of Disease from Environmental Noise: Quantification of Healthy Life Years Lost in Europe, 2011
  9. Stansfeld SA et al. Aircraft and road traffic noise and children's cognition and health: a cross-national study. The Lancet, v. 365, p. 1942 a 1949, 2005
  10. Klatte M, Bergström K, Lachmann T. Does noise affect learning? A short review on noise effects on cognitive performance in children. Frontiers in Psychology, v. 4, artigo 578, 2013
  11. Goyal M et al. Meditation Programs for Psychological Stress and Well-being: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Internal Medicine, v. 174, n. 3, p. 357 a 368, 2014
  12. Galante J et al. Mindfulness-based programmes for mental health promotion in adults in nonclinical settings. PLOS Medicine, v. 18, n. 1, artigo e1003481, 2021
  13. Farias M, Maraldi E, Wallenkampf KC, Lucchetti G. Adverse events in meditation practices and meditation-based therapies: a systematic review. Acta Psychiatrica Scandinavica, v. 142, n. 5, p. 374 a 393, 2020
  14. Prefeitura Municipal de Curitiba, Lei nº 10.625, de 19 de dezembro de 2002
  15. Prefeitura Municipal de Curitiba, Lei nº 10.625, Anexo I, níveis de pressão sonora máximos
  16. Prefeitura de São Paulo, resultados do Programa de Silêncio Urbano, comunicado oficial de 8 de abril de 2024
  17. OECD, How's Life for Children in the Digital Age?, 15 de maio de 2025
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