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tendências da
cultura material

O que se projeta, se veste, se serve e se habita — medido. Onze leituras do terreno em que a amano opera: economia criativa, design e cidade, experiência, atenção, corpo, casa, informação, arte e moda. Cento e oito dados com fonte declarada, divergência exposta, radar de dez setores e leitura de sete mercados, da América Latina à África.

0
exportações globais de serviços criativos por ano
0
PIB da indústria criativa brasileira
0
economia global do bem-estar, somando onze setores
0
atenção média em uma tela antes de trocar de janela
Desenho de linha: sala aberta com três plintos baixos, um objeto sobre cada um, duas figuras de costas e o perfil de uma cidade na janela ao fundo.
A economia criativa brasileira soma R$ 393,3 bilhões e emprega 1,26 milhão de pessoas com carteira assinada — e ainda assim quase metade de quem trabalha nela está fora da estatística formal. É um bloco econômico do tamanho de uma indústria pesada, medido como se fosse hobby.FIRJAN e IBGE / SIIC · T2
01

O terreno tem tamanho de indústria pesada

O mundo exporta US$ 1,7 trilhão em serviços criativos por ano, quase duas vezes e meia o que exporta em bens criativos. No Brasil, a indústria criativa responde por R$ 393,3 bilhões e por 1,26 milhão de empregos formais. O setor cultural, medido por outro recorte, chega a R$ 387,9 bilhões de valor adicionado. Os números não fecham entre si porque medem perímetros diferentes — e é justamente aí que mora a primeira decisão de quem opera neste mercado.

US$ 1,7 tri
exportações globais de serviços criativos por ano
UNCTAD Creative Economy Outlook · T1
US$ 709 bi
exportações globais de bens criativos por ano
UNCTAD Creative Economy Outlook · T1
1,26 milhão
profissionais criativos com emprego formal no Brasil
FIRJAN, Mapeamento da Indústria Criativa · T2
77.383
empregos formais na economia criativa do Paraná
RAIS / Observatório do Paraná · T2
serviço criativo exportado
US$ 1,7 tri
bem criativo exportado
US$ 709 bi
indústria criativa brasileira
R$ 393,3 bi
setor cultural brasileiro
R$ 387,9 bi
Escalas diferentes postas lado a lado para efeito de proporção, não de soma: as duas primeiras barras são fluxo mundial em dólar, as duas últimas são estoque brasileiro em real. Fonte: UNCTAD, T1; FIRJAN e IBGE/SIIC, T2.
Desenho de linha: um volume enorme resolvido em poucas linhas, com duas figuras minúsculas na base segurando uma folha que cobre só parte dele.

O que se exporta hoje é o serviço criativo, não o objeto criativo.

A diferença entre US$ 1,7 trilhão e US$ 709 bilhões diz onde o valor se acumulou. O objeto atravessa fronteira com frete, tarifa e prazo; o serviço criativo atravessa com um contrato. Para uma casa brasileira, isso muda a pergunta: não é como exportar mais produto, é como vender a inteligência que faz o produto. Vale a ressalva de método — a rubrica de serviço criativo da UNCTAD é dominada por software e serviços de informação, o que infla a leitura de quem lê a palavra 'criativo' pelo sentido cultural.

UNCTAD, T1
leitura amano

A economia criativa brasileira já tem tamanho de bloco, e metade dela não tem carteira. A FIRJAN conta 1,26 milhão de profissionais formais; estimativas que incluem informalidade chegam a mais que o dobro. Isso significa que a estatística pública subestima o setor exatamente na ponta onde ele é mais criativo e menos organizado — o autoral, o pequeno, o que ainda não virou empresa.

oportunidade de mercado

Onde a estatística é ruim, a curadoria vale mais. Marca que precisa de fornecedor criativo no Brasil não encontra o bom por busca: encontra por indicação. Quem organiza esse mapa — quem sabe quem faz o quê, com que padrão e a que preço — ocupa uma posição que nenhum diretório resolve.

preste atenção'serviço criativo' da UNCTAD é quase software. A rubrica agrega desenvolvimento, publicidade, pesquisa e serviços de informação. Ler o US$ 1,7 trilhão como se fosse design, arquitetura e cultura é o erro mais comum com esse número.
02

Design não decora a economia. Ele a constrói

A economia do design no Reino Unido gera £ 97,4 bilhões de valor adicionado bruto, com produtividade por trabalhador de £ 66.283 ao ano, acima da média nacional, segundo o Design Council. O índice de design da McKinsey aponta 32 pontos percentuais a mais de crescimento de receita no quartil superior, mas não publica os anos medidos nem a lista de empresas: é correlação apurada por parte interessada, não prova de causa. Milão sedia 2.333 empresas de design e movimenta € 278 milhões em uma única semana de feira. Nenhuma dessas cidades trata estética como enfeite.

£ 97,4 bi
valor adicionado bruto da economia do design britânica
Design Council · T1
+32 p.p.
vantagem de crescimento de receita das empresas no topo do índice de design
McKinsey Design Index · T1
€ 278 mi
movimento gerado em Milão pela semana do Salone del Mobile
Sistema Design Milano · T2
408
cidades na rede de cidades criativas da UNESCO, com Curitiba entre elas
UNESCO · T1
Reino Unido · economia do design
£ 97,4 bi VAB
Itália · cadeia de madeira e móvel
€ 52,2 bi
Dinamarca · exportação criativa
€ 10,8 bi
Milão · uma semana de Salone
€ 278 mi
Quatro maneiras de medir a mesma coisa: quanto vale a competência de projetar. As bases não são comparáveis entre si — VAB anual, faturamento de cadeia, exportação e movimento de uma semana — e estão juntas para mostrar ordem de grandeza. Fontes: Design Council, T1; FederlegnoArredo, T2; Creative Denmark, T3; Sistema Design Milano, T2.
leitura amano

Design paga mais porque produz mais, e a maior parte dele trabalha fora do setor de design. O dado britânico mostra produtividade acima da média nacional — e mostra também que o designer empregado na indústria, no varejo e no serviço público responde pela maior fatia do valor. Design não é um setor: é uma função que atravessa setores.

oportunidade de mercado

Cidade média brasileira com selo da UNESCO e sem cadeia organizada tem um ativo reputacional ocioso. O selo não gera receita sozinho — gera quando alguém monta a agenda, a feira, o roteiro e a rede de fornecedores em volta dele. É trabalho de curadoria e de articulação, não de comunicação.

preste atençãoO dado britânico de design é anterior à pandemia e o índice da McKinsey tem sete anos e mede correlação, não causa. Servem para ordenar grandeza e sustentar tese, não para projetar retorno de um investimento específico.
Desenho de linha: corte de rua, com as fachadas e o movimento em cima e, sob a linha do chão, as galerias que sustentam tudo.
Milão cobra pedágio urbano porque tem indústria embaixo do evento. Feira sem cadeia produtiva é feriado.
leitura reservada

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As nove seções seguintes trazem a análise completa, os dados de mercado com fontes classificadas por confiabilidade e as conclusões aplicáveis. O acesso é gratuito e reservado a quem integra amano — CLUBE.

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03

O objeto perdeu. O encontro ganhou. E o placar é apertado

Entre 2022 e 2025, o gasto com experiências cresceu 2,6% ao ano contra 0,8% dos bens não essenciais. O mercado global de bens pessoais de luxo recuou para € 358 bilhões enquanto o agregado experiencial seguiu subindo. Viagens e turismo somaram US$ 11,6 trilhões, 9,8% da economia mundial. No Brasil, 9,29 milhões de turistas internacionais entraram em 2025 — recorde — e deixaram US$ 7,9 bilhões.

2,6% vs 0,8%
crescimento anual de experiências contra bens não essenciais, 2022–2025
Bain & Company · T1
US$ 11,6 tri
contribuição de viagens e turismo ao PIB mundial em 2025
WTTC · T1
9,29 mi
turistas internacionais no Brasil em 2025, recorde da série
Ministério do Turismo · T2
29,5%
do gasto do turista no Brasil vai para restaurantes e bares
Ministério do Turismo · T1
experiências
+2,6% a.a.
bens não essenciais
+0,8% a.a.
bens pessoais de luxo
recuo em 2025
Crescimento anual médio entre 2022 e 2025, com o recuo de 2025 no mercado de bens pessoais de luxo para efeito de contraste. Parte da queda do luxo é efeito de câmbio, não de volume. Fonte: Bain & Company e Altagamma, T1.
Desenho de linha: mesa posta vista de cima, pessoas sentadas em volta e um único embrulho ainda fechado num canto.

No Brasil, a mesa é o principal produto turístico.

Quase um terço de tudo que o estrangeiro gasta aqui vai para restaurante e bar — proporção maior que hospedagem. O país vende comida melhor do que vende hotel, e vende conversa melhor do que vende passeio. Para quem opera marca, isso reposiciona a mesa: ela não é o brinde no fim do projeto, é o produto. Ao mesmo tempo, o turista vem em massa e gasta menos por cabeça — recorde de chegadas não virou recorde de receita por visitante.

Ministério do Turismo, T1 e T2
leitura amano

'Experiência' é uma palavra elástica e boa parte do entusiasmo em torno dela vem de quem vende experiência. O dado sólido é mais modesto que o discurso: 2,6% contra 0,8% é vantagem consistente, não virada de mesa. O que mudou de verdade não é o tamanho do bolo, é a ordem de prioridade dentro do mesmo orçamento.

oportunidade de mercado

Quem vende objeto passou a competir com quem vende ocasião. A saída não é abandonar o objeto, é ancorá-lo em uma ocasião: a peça que estreia num jantar, a coleção que aparece numa residência, o material que se conhece tocando. Encontro pequeno e curado converte melhor que evento grande.

preste atençãoIntenção declarada não é gasto realizado. Os 51% de brasileiros que dizem preferir gastar com viagem a comprar objeto vêm de pesquisa declarativa e de fonte comercial. Trate como direção, não como medida.
04

Quanto mais rápido o mundo, mais vale o que pede tempo

A atenção média diante de uma tela é de 47 segundos antes da troca de janela. O adulto conectado consome 33h30 de mídia online por semana no mundo; o brasileiro, 53h30 — quase 60% a mais, quarto maior do planeta. O alcance orgânico médio de um post caiu para 3,5%. E, no mesmo período, o vinil faturou US$ 1 bilhão nos Estados Unidos pelo décimo nono ano seguido de alta.

47 segundos
atenção média em uma tela antes de trocar de janela
Gloria Mark / UC Irvine · T1
53h30
por semana do brasileiro consumindo mídia online, contra 33h30 da média mundial
GWI · T2
3,5%
alcance orgânico médio de um post, em queda de 12% em um ano
estimativa de mercado · T3
US$ 1 bi
receita com vinil nos EUA, 19º ano seguido de alta
RIAA · T1
Brasil · tempo semanal de mídia online53h30
média mundial · tempo semanal de mídia online33h30
O brasileiro está entre os quatro públicos mais conectados do mundo. Mais tempo de tela não produziu mais atenção disponível: produziu mais disputa pelo mesmo intervalo de 47 segundos. Fonte: GWI, T2; Gloria Mark, T1.
leitura amano

O alcance grátis acabou, e a saída não é comprar mais alcance. Com 3,5% de alcance orgânico e custo de mídia subindo, a conta de comprar atenção de desconhecido piora todo trimestre. O ativo que resiste é a lista própria: quem você alcança sem intermediário e por convite.

oportunidade de mercado

O impresso voltou como objeto, não como mídia. Tiragem pequena, numerada e endereçada não compete com o feed — compete com o presente. Peça editorial física funciona hoje como prova de seriedade e como pretexto de relação, dois usos que a métrica de impressão não captura.

preste atençãoOs 47 segundos medem trabalho em computador, não a vida inteira. E o alcance orgânico de 3,5% vem de amostra de plataforma, que mede quem publica muito, não a população.
Desenho de linha: fileira de figuras de perfil com a cabeça baixa e, no centro, uma figura sozinha e maior segurando um prato com as duas mãos.
O contramovimento analógico é real de margem e pequeno de escala. Não substitui o digital: qualifica quem chega por ele.
05

O corpo virou projeto de longo prazo

A economia global do bem-estar soma US$ 6,8 trilhões nos onze setores medidos pelo Global Wellness Institute. Alimentação e nutrição respondem por US$ 1,148 trilhão, turismo de bem-estar por US$ 893,9 bilhões e o imobiliário orientado a saúde por US$ 876 bilhões. O Brasil aparece em 11º, com US$ 125 bilhões. E 60% dos consumidores em mercados como China, Alemanha e Estados Unidos colocam envelhecimento saudável como prioridade alta.

US$ 6,8 tri
economia global do bem-estar, onze setores
Global Wellness Institute · T1
US$ 876 bi
imobiliário projetado e operado para a saúde do ocupante
Global Wellness Institute · T1
US$ 125 bi
economia do bem-estar do Brasil, 11º mercado do mundo
Global Wellness Institute · T1
US$ 45 tri
contribuição das pessoas com 50 anos ou mais ao PIB mundial
AARP / OCDE · T2
alimentação, nutrição e emagrecimento
US$ 1,148 tri
turismo de bem-estar
US$ 893,9 bi
imobiliário de bem-estar
US$ 876 bi
saúde mental fora do sistema clínico
US$ 268,3 bi
spas
US$ 157,4 bi
Cinco dos onze setores medidos pelo Global Wellness Institute, em valor anual. A soma dos onze chega a US$ 6,8 trilhões. Bem-estar é definição elástica: o imobiliário entra por autodeclaração do empreendimento, sem certificação obrigatória. Fonte: Global Wellness Institute, T1.
Desenho de linha: piscina longa e estreita vista de cima, com uma única figura nadando.

O metro quadrado começou a ser vendido como programa de saúde.

Imóveis residenciais com programa de bem-estar cobram de 10% a 25% de prêmio sobre o equivalente sem programa. Na América Latina o segmento vale US$ 3,7 bilhões — a maior taxa de crescimento do mundo sobre a menor base. Para incorporação e arquitetura, a implicação é direta: ar, luz, água, acústica e movimento deixaram de ser memorial descritivo e viraram argumento de preço. O risco é igualmente direto — quando o selo vale mais que o programa, o mercado aprende rápido a descontar os dois.

Global Wellness Institute, T1
leitura amano

Longevidade deixou de ser assunto de velho. Sessenta por cento dos consumidores em mercados maduros colocam envelhecimento saudável como prioridade alta, e quem tem 50 anos ou mais responde por US$ 45 trilhões do PIB mundial. O público que decide compra hoje pensando em trinta anos de uso, não em três.

oportunidade de mercado

Sobriedade virou repertório, não abstinência: o volume de bebidas sem álcool cresce 9% em dez mercados. Carta, copo e ritual de bebida não alcoólica bem feitos são hoje diferencial de hospitalidade — e um dos poucos lugares onde ainda cabe autoria de verdade, porque quase ninguém fez direito.

preste atençãoBem-estar é definição elástica e o número acompanha a definição. Os US$ 876 bilhões de imobiliário somam empreendimentos que se apresentam como orientados a saúde, sem certificação obrigatória. Boa parte dos dados de longevidade clínica vem de fonte comercial.
06

A casa mudou de função, e o mercado ainda vende acabamento

O varejo brasileiro de móveis faturou R$ 127,7 bilhões e o de material de construção R$ 238,9 bilhões. Foram 453.005 lançamentos residenciais em 2025. O Brasil exportou US$ 1,48 bilhão em rochas naturais e US$ 769,3 milhões em móveis prontos. No mesmo período, a participação do importado no consumo de cama, mesa e banho subiu de 11% para 17,9% em cinco anos.

R$ 238,9 bi
faturamento do varejo brasileiro de material de construção em 2025
ANAMACO · T2
453.005
lançamentos residenciais no Brasil em 2025
CBIC · T2
US$ 1,48 bi
exportação brasileira de rochas naturais em 2025
Centrorochas · T2
17,9%
de importados no consumo brasileiro de cama, mesa e banho
IEMI · T2
2019
2024
Participação do produto importado no consumo brasileiro de cama, mesa e banho. Foram 217 milhões de peças importadas em 2024. A produção nacional cresceu no período — devagar demais para acompanhar o consumo. Fonte: IEMI, Brasil Têxtil, T2.
leitura amano

O setor vende mais dinheiro e menos peça. Na indústria de móveis brasileira, o faturamento subiu 3,5% em 2025 enquanto a produção física caiu 0,9%. A conta fecha por preço e por mix, não por volume — o mercado está subindo de faixa, não crescendo de tamanho.

oportunidade de mercado

O importado ocupou o vão que a indústria nacional deixou, e o vão é de repertório, não de capacidade fabril. Marca brasileira que resolve desenho, coleção e narrativa disputa esses 17,9% com vantagem logística e cambial. É um dos poucos lugares em que substituir importação depende mais de design que de investimento em máquina.

preste atençãoNominal não é real. Quase todos os números brasileiros de faturamento aqui são nominais; com a inflação do período, parte do crescimento é preço. E associação setorial mede o próprio setor — a metodologia costuma ser sólida, o interesse no resultado também existe.
divergência declaradaO mercado de móveis brasileiro cresceu ou encolheu em 2025? O IEMI registra queda de 0,9% na produção física e alta de 3,5% no faturamento industrial. O IBGE, pela Pesquisa Mensal de Comércio, aponta outra direção para o varejo. Medem elos diferentes da cadeia. Nenhum dos dois está errado, e usar um pelo outro está.
Desenho de linha: corte longitudinal de uma casa comprida, a mesma figura fazendo algo diferente em cada ambiente, e dois painéis ainda amarrados encostados na parede.
A marca virou insumo de construção: o estoque global de residências assinadas cresceu 19% em um ano e cobra 33% de prêmio.
07

Em quem se confia, quando ninguém confia na informação

Trinta e sete por cento dos adultos dizem confiar na maior parte das notícias na maior parte do tempo, em 48 mercados. Dezessete por cento pagaram por notícia online no último ano, número que parou de crescer. Dez por cento já usam chatbots de IA para se informar toda semana. E quando o Google mostra um resumo de IA, o clique em link cai de 15% para 8%.

37%
adultos que dizem confiar na maior parte das notícias, em 48 mercados
Reuters Institute · T1
17%
pessoas que pagaram por notícia online no último ano, em 20 países ricos
Reuters Institute · T1
8% vs 15%
clique em link com e sem resumo de IA no buscador
Pew Research Center · T1
-43%
queda de tráfego de busca que editores esperam nos próximos três anos
Reuters Institute · T1
confiam na notícia
37%
pagam por notícia
17%
usam IA para se informar
10%
tráfego de busca esperado
-43%
Quatro medidas do mesmo deslocamento: a confiança na informação caiu, o pagamento por informação parou de crescer, a IA entrou como intermediária e o tráfego que sustentava o modelo editorial está sendo reprecificado. A última barra é expectativa declarada por executivos, não medição. Fontes: Reuters Institute e Pew Research Center, T1.
Desenho de linha: um leque de folhas soltas caindo e, embaixo, duas figuras de perfil enquanto uma entrega à outra uma única folha.

O pagamento por informação parou de crescer. O pagamento por pertencimento, não.

Quem tenta vender notícia avulsa disputa com o resumo automático e perde. Quem vende acesso a um círculo — lista, clube, encontro, edição numerada — vende outra coisa: não a informação, o lugar de onde ela vem. É a diferença entre assinar um conteúdo e pertencer a uma casa. Para marcas, a consequência é que autoridade editorial passou a valer mais como ativo de relação do que como audiência.

Reuters Institute Digital News Report, T1
leitura amano

A plataforma virou o veículo, e o veículo virou fornecedor. Com o buscador respondendo em vez de encaminhar, o site deixa de ser destino. Quem depende de tráfego de busca está construindo sobre terreno alugado — e o aluguel acabou de subir.

oportunidade de mercado

Confiança de 37% na imprensa é um número baixo, e ao mesmo tempo é uma vaga aberta. Marca que declara fonte, assume limite e registra divergência ocupa um espaço que a mídia esvaziou. É o motivo pelo qual todo dado deste report vem com origem e classificação.

preste atençãoExpectativa de executivo não é medição. Os -43% são o que editores esperam perder, não o que já perderam. E o dado de podcast disponível é americano, não global — não sustenta leitura sobre o Brasil.
08

Arte e moda: o valor que não deprecia junto com o objeto

O mercado global de arte e antiguidades movimentou US$ 59,6 bilhões, com 35% do faturamento das galerias vindo de feiras. Colecionadores de alta renda alocam 20% do patrimônio em arte. No Brasil, as galerias de arte contemporânea faturaram R$ 2,9 bilhões. Na moda, 28% do guarda-roupa dos consumidores pesquisados já é de segunda mão, e a indústria têxtil brasileira soma R$ 220 bilhões.

US$ 59,6 bi
vendas do mercado global de arte e antiguidades por ano
Art Basel / UBS · T1
35%
do faturamento das galerias vem de feiras de arte
Art Basel / UBS · T1
20%
do patrimônio que colecionadores de alta renda alocam em arte
Art Basel / UBS · T1
28%
do guarda-roupa que já é de segunda mão entre consumidores pesquisados
ThredUp / GlobalData · T1
Estados Unidos
US$ 26 bi · 44% do mercado
França
US$ 4,5 bi
China continental
14% do mercado, +5% no ano
Brasil
R$ 2,9 bi · base de 60 galerias
Participação no mercado global de arte. O dado brasileiro tem base declarada de cerca de 60 galerias e ano de referência anterior aos demais — está aqui para ordem de grandeza, não para comparação direta. Fontes: Art Basel/UBS, T1; ABACT/Datahub, T2.
leitura amano

O mercado de arte cresceu em valor e encolheu em base. O topo sustenta o número enquanto o meio perde compradores. O comprador jovem aloca proporção maior do próprio patrimônio e dinheiro menor em termos absolutos — o que muda o produto: edição, múltiplo, obra de entrada, acesso ao artista.

oportunidade de mercado

No Brasil, exportar design vale mais que exportar volume. Enquanto a exportação de móveis prontos enfrenta tarifa de 25% no principal destino, o desenho de autor atravessa sem taxa. Segunda mão em 28% do guarda-roupa também diz que durabilidade virou argumento comercial, não discurso ambiental.

preste atençãoO dado brasileiro de arte é de base pequena e ano anterior aos demais. E câmbio explica parte da queda do luxo em euro: parte do que parece contração é conversão.
Desenho de linha: parede de galeria comprida com um único quadro pendurado e, fora dela, um grupo de figuras conversando de pé.
Trinta e cinco por cento do que uma galeria fatura acontece fora dela. A feira deixou de ser vitrine e virou canal.
09

Radar de oportunidade, setor a setor

Dez setores do universo em que a amano opera, ordenados por oportunidade líquida no Brasil hoje. O índice não mede tamanho de mercado, mede espaço para entrar bem: combina ritmo de crescimento, quanto do mercado ainda está pouco disputado por marcas estruturadas, e aderência ao comportamento descrito nas seções anteriores.

Arquitetura e interiores Materiais e revestimentos Hospitalidade Gastronomia Bem-estar e longevidade Arte e colecionismo Moda e alfaiataria Mídia editorial Mobiliário de autor Educação e formação

Como ler este radar

Cada eixo vai de 0 a 10. Quanto mais longe do centro, maior a oportunidade líquida do setor no Brasil hoje. O índice é leitura interpretativa própria, construída a partir dos dados citados em cada verbete, e não um indicador de terceiros. Combina três critérios com peso igual:

  • ritmovelocidade de crescimento do setor nos dados mais recentes disponíveis
  • espaçoquanto do mercado ainda está pouco disputado por marcas estruturadas
  • aderênciao quanto o setor responde à migração para experiência, ao corpo como projeto e à economia da confiança

Arquitetura e interiores

9 / 10
453.005 lançamentos em 2025 · residência assinada com prêmio de 33%
Por que é oportunidade

É onde a cultura material brasileira tem mais massa e menos organização de marca. A casa virou o principal item de expressão de patrimônio, o programa de bem-estar entrou na conta do metro quadrado e a especificação continua sendo decidida por relação pessoal. Marca que entra com repertório e método ocupa espaço rápido.

Hospitalidade

9 / 10
29,5% do gasto do turista vai para mesa e bar · 9,29 mi de visitantes
Por que é oportunidade

O Brasil bateu recorde de chegadas e não bateu recorde de receita por visitante. O vão entre volume e valor é exatamente onde cabe curadoria: casa pequena, programa autoral, mesa como produto. É o setor com maior distância entre o que o país tem e o que o país cobra.

Materiais e revestimentos

8 / 10
US$ 1,48 bi em rochas exportadas · 17,9% do têxtil de casa é importado
Por que é oportunidade

O material brasileiro vale mais e está mais exposto: a tarifa americana de 25% sobre linhas de móvel e gabinete reprecificou a rota. Quem tem pedra, cerâmica e fibra e não tem desenho de autor vende commodity. Quem tem os dois vende especificação.

Gastronomia

8 / 10
R$ 141,1 bi em eventos · a mesa como principal produto turístico
Por que é oportunidade

É o produto cultural brasileiro com maior conversão internacional e menor estrutura de marca. Falta quase tudo que o design resolve: identidade, publicação, objeto, ritual, rede. Setor de margem apertada e reputação alta, o que faz da parceria um caminho melhor que o serviço avulso.

Bem-estar e longevidade

8 / 10
US$ 125 bi no Brasil, 11º mercado · prêmio de 10% a 25% no imóvel
Por que é oportunidade

A maior taxa de crescimento sobre a menor base na América Latina. O risco é o setor virar selo antes de virar programa — e é justamente aí que entra quem sabe transformar promessa em projeto verificável.

Mobiliário de autor

7 / 10
faturamento +3,5% com produção física −0,9% · importado em alta
Por que é oportunidade

O mercado está subindo de faixa sem crescer de tamanho, o que favorece quem tem desenho e penaliza quem tem só fábrica. A janela é de substituição de importado por repertório, não por preço.

Mídia editorial

6 / 10
37% de confiança na notícia · impresso voltando como objeto
Por que é oportunidade

Baixa confiança na imprensa abriu vaga para quem declara fonte. O impresso funciona hoje como prova e como presente, não como veículo de alcance. Vale como ativo de relação, não como negócio de audiência.

Arte e colecionismo

6 / 10
US$ 59,6 bi no mundo · 35% do faturamento vem de feira
Por que é oportunidade

Mercado que cresce em valor e encolhe em base, com o comprador jovem entrando por edição e por acesso ao artista. O canal mudou antes do produto: quem organiza a feira e a visita organiza a venda.

Moda e alfaiataria

5 / 10
28% do guarda-roupa é segunda mão · R$ 220 bi na cadeia têxtil
Por que é oportunidade

Cadeia grande, margem espremida e concorrência internacional pesada. A oportunidade está no recorte estreito — sob medida, edição limitada, durabilidade como argumento — e não no volume.

Educação e formação

5 / 10
1,26 milhão de criativos formais e quase o mesmo número informal
Por que é oportunidade

Demanda existe e disposição a pagar é baixa. Faz sentido como extensão de marca e formação de rede, raramente como centro de receita.

sobre o índiceAs notas de 0 a 10 são leitura interpretativa própria e devem ser lidas como ordenação relativa de oportunidade, não como medida absoluta. Os dados que sustentam cada nota estão declarados no verbete e nas fontes ao final.
10

A mesma leitura, no espelho de sete mercados

Momento, motor, risco e a postura recomendada para uma casa criativa brasileira. A leitura por região não serve para escolher para onde exportar: serve para saber com que referência o cliente local está comparando o seu trabalho.

leituraamérica latinaestados unidoschinaásiaeuropaoriente médioáfrica
momentoexpansão moderada, 2,4% de PIBexpansão firme, 2,1% e 2,3%contração no luxo, 2º anoexpansão forte, puxada pela Índiaestável, com turismo em altaexpansão com esfriamento no golfoexpansão de base pequena, 4,4%
motorremessas e turismo, US$ 173,7 bitopo da renda, 45% do consumoconsumo doméstico, móveis +14,6%nova riqueza indiana, +63% de UHNWturismo cultural, 625 mi de chegadasdiversificação e hotelariaclasse urbana e arte contemporânea
riscoinstabilidade macro e câmbioconcentração do consumo no topoimobiliário em queda de 17,2%'ásia' não é unidade de análisefluxo alto com museu vaziobase de consumo -15% a -25%moeda volátil e base fina
postura amanoterreno principal, investir agorareferência de padrão e de preçoobservar, não é prioridade curtareferência de crescimento futuroreferência de repertório e feirareferência de ambição e escalaparceria de autor, não de volume
11

Como este report foi feito

Cento e oito dados, levantados em oito frentes de pesquisa e classificados em três níveis de confiabilidade. Onde duas fontes discordam, a divergência está declarada no corpo do texto em vez de resolvida por conveniência.

T1 consultoria, instituto ou organismo com metodologia pública: UNCTAD, UNESCO, Bain, McKinsey, Design Council, WTTC, Global Wellness Institute, Reuters Institute, Pew Research Center, Art Basel/UBS, Knight Frank, Savills, CSIL, RIAA
T2 dado oficial ou administrativo repassado por imprensa especializada: IBGE, FIRJAN, CBIC, ANAMACO, IEMI/ABIMÓVEL, Centrorochas, ANFACER, Ministério do Turismo, RAIS, ABACT, FederlegnoArredo, escritórios de estatística nacionais
T3 estimativa de mercado ou fonte comercial, tratada como faixa e não como número fechado — inclui o índice de oportunidade da seção 09, que é leitura interpretativa própria
tamanho da economia criativa brasileiraFIRJAN e IBGE/SIIC chegam a valores próximos (R$ 393,3 bi e R$ 387,9 bi) medindo coisas diferentes — indústria criativa e setor cultural têm perímetros distintos. A proximidade dos números é coincidência de escala, não confirmação recíproca.
o luxo em 2025 estabilizou ou recuouBain e Altagamma descrevem recuo de bens pessoais de luxo para € 358 bilhões; parte relevante da queda é efeito de câmbio sobre a conversão em euro. Em volume e em moeda local, vários mercados ficaram estáveis. O sinal muda com a moeda escolhida.
quanto a IA generativa tirou de tráfego editorialO Pew mede queda de clique de 15% para 8% quando há resumo de IA. O Reuters Institute registra expectativa de -43% de tráfego em três anos. Um é medição de comportamento, o outro é expectativa declarada por executivos. Não são a mesma classe de evidência.
o tamanho do mercado global de bem-estarO Global Wellness Institute soma onze setores em US$ 6,8 trilhões, com fronteiras que se sobrepõem a saúde, turismo e imobiliário. Recortes mais estreitos chegam a frações desse valor. Bem-estar é uma definição elástica e o número acompanha a definição.
Desenho de linha: duas tiras de papel seguradas pelas pontas, correndo paralelas e separando-se no centro.

Tendência não é previsão. É o que já aconteceu e ainda não foi precificado.

Nada aqui é aposta sobre o futuro. O gasto já migrou para o encontro, o corpo já virou projeto de longo prazo, a casa já mudou de função, a confiança na informação já caiu e o alcance grátis já acabou. Tudo isso está medido, com fonte declarada. A pergunta que sobra não é se o terreno mudou — é quanto tempo a sua marca vai levar para operar no terreno novo.

Adriano Tadeu Barbosa e Marcus Yabe
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