O que se projeta, se veste, se serve e se habita — medido. Onze leituras do terreno em que a amano opera: economia criativa, design e cidade, experiência, atenção, corpo, casa, informação, arte e moda. Cento e oito dados com fonte declarada, divergência exposta, radar de dez setores e leitura de sete mercados, da América Latina à África.

O mundo exporta US$ 1,7 trilhão em serviços criativos por ano, quase duas vezes e meia o que exporta em bens criativos. No Brasil, a indústria criativa responde por R$ 393,3 bilhões e por 1,26 milhão de empregos formais. O setor cultural, medido por outro recorte, chega a R$ 387,9 bilhões de valor adicionado. Os números não fecham entre si porque medem perímetros diferentes — e é justamente aí que mora a primeira decisão de quem opera neste mercado.

A diferença entre US$ 1,7 trilhão e US$ 709 bilhões diz onde o valor se acumulou. O objeto atravessa fronteira com frete, tarifa e prazo; o serviço criativo atravessa com um contrato. Para uma casa brasileira, isso muda a pergunta: não é como exportar mais produto, é como vender a inteligência que faz o produto. Vale a ressalva de método — a rubrica de serviço criativo da UNCTAD é dominada por software e serviços de informação, o que infla a leitura de quem lê a palavra 'criativo' pelo sentido cultural.
A economia criativa brasileira já tem tamanho de bloco, e metade dela não tem carteira. A FIRJAN conta 1,26 milhão de profissionais formais; estimativas que incluem informalidade chegam a mais que o dobro. Isso significa que a estatística pública subestima o setor exatamente na ponta onde ele é mais criativo e menos organizado — o autoral, o pequeno, o que ainda não virou empresa.
Onde a estatística é ruim, a curadoria vale mais. Marca que precisa de fornecedor criativo no Brasil não encontra o bom por busca: encontra por indicação. Quem organiza esse mapa — quem sabe quem faz o quê, com que padrão e a que preço — ocupa uma posição que nenhum diretório resolve.
A economia do design no Reino Unido gera £ 97,4 bilhões de valor adicionado bruto, com produtividade por trabalhador de £ 66.283 ao ano, acima da média nacional, segundo o Design Council. O índice de design da McKinsey aponta 32 pontos percentuais a mais de crescimento de receita no quartil superior, mas não publica os anos medidos nem a lista de empresas: é correlação apurada por parte interessada, não prova de causa. Milão sedia 2.333 empresas de design e movimenta € 278 milhões em uma única semana de feira. Nenhuma dessas cidades trata estética como enfeite.
Design paga mais porque produz mais, e a maior parte dele trabalha fora do setor de design. O dado britânico mostra produtividade acima da média nacional — e mostra também que o designer empregado na indústria, no varejo e no serviço público responde pela maior fatia do valor. Design não é um setor: é uma função que atravessa setores.
Cidade média brasileira com selo da UNESCO e sem cadeia organizada tem um ativo reputacional ocioso. O selo não gera receita sozinho — gera quando alguém monta a agenda, a feira, o roteiro e a rede de fornecedores em volta dele. É trabalho de curadoria e de articulação, não de comunicação.

As nove seções seguintes trazem a análise completa, os dados de mercado com fontes classificadas por confiabilidade e as conclusões aplicáveis. O acesso é gratuito e reservado a quem integra amano — CLUBE.
Entre 2022 e 2025, o gasto com experiências cresceu 2,6% ao ano contra 0,8% dos bens não essenciais. O mercado global de bens pessoais de luxo recuou para € 358 bilhões enquanto o agregado experiencial seguiu subindo. Viagens e turismo somaram US$ 11,6 trilhões, 9,8% da economia mundial. No Brasil, 9,29 milhões de turistas internacionais entraram em 2025 — recorde — e deixaram US$ 7,9 bilhões.

Quase um terço de tudo que o estrangeiro gasta aqui vai para restaurante e bar — proporção maior que hospedagem. O país vende comida melhor do que vende hotel, e vende conversa melhor do que vende passeio. Para quem opera marca, isso reposiciona a mesa: ela não é o brinde no fim do projeto, é o produto. Ao mesmo tempo, o turista vem em massa e gasta menos por cabeça — recorde de chegadas não virou recorde de receita por visitante.
'Experiência' é uma palavra elástica e boa parte do entusiasmo em torno dela vem de quem vende experiência. O dado sólido é mais modesto que o discurso: 2,6% contra 0,8% é vantagem consistente, não virada de mesa. O que mudou de verdade não é o tamanho do bolo, é a ordem de prioridade dentro do mesmo orçamento.
Quem vende objeto passou a competir com quem vende ocasião. A saída não é abandonar o objeto, é ancorá-lo em uma ocasião: a peça que estreia num jantar, a coleção que aparece numa residência, o material que se conhece tocando. Encontro pequeno e curado converte melhor que evento grande.
A atenção média diante de uma tela é de 47 segundos antes da troca de janela. O adulto conectado consome 33h30 de mídia online por semana no mundo; o brasileiro, 53h30 — quase 60% a mais, quarto maior do planeta. O alcance orgânico médio de um post caiu para 3,5%. E, no mesmo período, o vinil faturou US$ 1 bilhão nos Estados Unidos pelo décimo nono ano seguido de alta.
O alcance grátis acabou, e a saída não é comprar mais alcance. Com 3,5% de alcance orgânico e custo de mídia subindo, a conta de comprar atenção de desconhecido piora todo trimestre. O ativo que resiste é a lista própria: quem você alcança sem intermediário e por convite.
O impresso voltou como objeto, não como mídia. Tiragem pequena, numerada e endereçada não compete com o feed — compete com o presente. Peça editorial física funciona hoje como prova de seriedade e como pretexto de relação, dois usos que a métrica de impressão não captura.

A economia global do bem-estar soma US$ 6,8 trilhões nos onze setores medidos pelo Global Wellness Institute. Alimentação e nutrição respondem por US$ 1,148 trilhão, turismo de bem-estar por US$ 893,9 bilhões e o imobiliário orientado a saúde por US$ 876 bilhões. O Brasil aparece em 11º, com US$ 125 bilhões. E 60% dos consumidores em mercados como China, Alemanha e Estados Unidos colocam envelhecimento saudável como prioridade alta.

Imóveis residenciais com programa de bem-estar cobram de 10% a 25% de prêmio sobre o equivalente sem programa. Na América Latina o segmento vale US$ 3,7 bilhões — a maior taxa de crescimento do mundo sobre a menor base. Para incorporação e arquitetura, a implicação é direta: ar, luz, água, acústica e movimento deixaram de ser memorial descritivo e viraram argumento de preço. O risco é igualmente direto — quando o selo vale mais que o programa, o mercado aprende rápido a descontar os dois.
Longevidade deixou de ser assunto de velho. Sessenta por cento dos consumidores em mercados maduros colocam envelhecimento saudável como prioridade alta, e quem tem 50 anos ou mais responde por US$ 45 trilhões do PIB mundial. O público que decide compra hoje pensando em trinta anos de uso, não em três.
Sobriedade virou repertório, não abstinência: o volume de bebidas sem álcool cresce 9% em dez mercados. Carta, copo e ritual de bebida não alcoólica bem feitos são hoje diferencial de hospitalidade — e um dos poucos lugares onde ainda cabe autoria de verdade, porque quase ninguém fez direito.
O varejo brasileiro de móveis faturou R$ 127,7 bilhões e o de material de construção R$ 238,9 bilhões. Foram 453.005 lançamentos residenciais em 2025. O Brasil exportou US$ 1,48 bilhão em rochas naturais e US$ 769,3 milhões em móveis prontos. No mesmo período, a participação do importado no consumo de cama, mesa e banho subiu de 11% para 17,9% em cinco anos.
O setor vende mais dinheiro e menos peça. Na indústria de móveis brasileira, o faturamento subiu 3,5% em 2025 enquanto a produção física caiu 0,9%. A conta fecha por preço e por mix, não por volume — o mercado está subindo de faixa, não crescendo de tamanho.
O importado ocupou o vão que a indústria nacional deixou, e o vão é de repertório, não de capacidade fabril. Marca brasileira que resolve desenho, coleção e narrativa disputa esses 17,9% com vantagem logística e cambial. É um dos poucos lugares em que substituir importação depende mais de design que de investimento em máquina.

Trinta e sete por cento dos adultos dizem confiar na maior parte das notícias na maior parte do tempo, em 48 mercados. Dezessete por cento pagaram por notícia online no último ano, número que parou de crescer. Dez por cento já usam chatbots de IA para se informar toda semana. E quando o Google mostra um resumo de IA, o clique em link cai de 15% para 8%.

Quem tenta vender notícia avulsa disputa com o resumo automático e perde. Quem vende acesso a um círculo — lista, clube, encontro, edição numerada — vende outra coisa: não a informação, o lugar de onde ela vem. É a diferença entre assinar um conteúdo e pertencer a uma casa. Para marcas, a consequência é que autoridade editorial passou a valer mais como ativo de relação do que como audiência.
A plataforma virou o veículo, e o veículo virou fornecedor. Com o buscador respondendo em vez de encaminhar, o site deixa de ser destino. Quem depende de tráfego de busca está construindo sobre terreno alugado — e o aluguel acabou de subir.
Confiança de 37% na imprensa é um número baixo, e ao mesmo tempo é uma vaga aberta. Marca que declara fonte, assume limite e registra divergência ocupa um espaço que a mídia esvaziou. É o motivo pelo qual todo dado deste report vem com origem e classificação.
O mercado global de arte e antiguidades movimentou US$ 59,6 bilhões, com 35% do faturamento das galerias vindo de feiras. Colecionadores de alta renda alocam 20% do patrimônio em arte. No Brasil, as galerias de arte contemporânea faturaram R$ 2,9 bilhões. Na moda, 28% do guarda-roupa dos consumidores pesquisados já é de segunda mão, e a indústria têxtil brasileira soma R$ 220 bilhões.
O mercado de arte cresceu em valor e encolheu em base. O topo sustenta o número enquanto o meio perde compradores. O comprador jovem aloca proporção maior do próprio patrimônio e dinheiro menor em termos absolutos — o que muda o produto: edição, múltiplo, obra de entrada, acesso ao artista.
No Brasil, exportar design vale mais que exportar volume. Enquanto a exportação de móveis prontos enfrenta tarifa de 25% no principal destino, o desenho de autor atravessa sem taxa. Segunda mão em 28% do guarda-roupa também diz que durabilidade virou argumento comercial, não discurso ambiental.

Dez setores do universo em que a amano opera, ordenados por oportunidade líquida no Brasil hoje. O índice não mede tamanho de mercado, mede espaço para entrar bem: combina ritmo de crescimento, quanto do mercado ainda está pouco disputado por marcas estruturadas, e aderência ao comportamento descrito nas seções anteriores.
Cada eixo vai de 0 a 10. Quanto mais longe do centro, maior a oportunidade líquida do setor no Brasil hoje. O índice é leitura interpretativa própria, construída a partir dos dados citados em cada verbete, e não um indicador de terceiros. Combina três critérios com peso igual:
É onde a cultura material brasileira tem mais massa e menos organização de marca. A casa virou o principal item de expressão de patrimônio, o programa de bem-estar entrou na conta do metro quadrado e a especificação continua sendo decidida por relação pessoal. Marca que entra com repertório e método ocupa espaço rápido.
O Brasil bateu recorde de chegadas e não bateu recorde de receita por visitante. O vão entre volume e valor é exatamente onde cabe curadoria: casa pequena, programa autoral, mesa como produto. É o setor com maior distância entre o que o país tem e o que o país cobra.
O material brasileiro vale mais e está mais exposto: a tarifa americana de 25% sobre linhas de móvel e gabinete reprecificou a rota. Quem tem pedra, cerâmica e fibra e não tem desenho de autor vende commodity. Quem tem os dois vende especificação.
É o produto cultural brasileiro com maior conversão internacional e menor estrutura de marca. Falta quase tudo que o design resolve: identidade, publicação, objeto, ritual, rede. Setor de margem apertada e reputação alta, o que faz da parceria um caminho melhor que o serviço avulso.
A maior taxa de crescimento sobre a menor base na América Latina. O risco é o setor virar selo antes de virar programa — e é justamente aí que entra quem sabe transformar promessa em projeto verificável.
O mercado está subindo de faixa sem crescer de tamanho, o que favorece quem tem desenho e penaliza quem tem só fábrica. A janela é de substituição de importado por repertório, não por preço.
Baixa confiança na imprensa abriu vaga para quem declara fonte. O impresso funciona hoje como prova e como presente, não como veículo de alcance. Vale como ativo de relação, não como negócio de audiência.
Mercado que cresce em valor e encolhe em base, com o comprador jovem entrando por edição e por acesso ao artista. O canal mudou antes do produto: quem organiza a feira e a visita organiza a venda.
Cadeia grande, margem espremida e concorrência internacional pesada. A oportunidade está no recorte estreito — sob medida, edição limitada, durabilidade como argumento — e não no volume.
Demanda existe e disposição a pagar é baixa. Faz sentido como extensão de marca e formação de rede, raramente como centro de receita.
Momento, motor, risco e a postura recomendada para uma casa criativa brasileira. A leitura por região não serve para escolher para onde exportar: serve para saber com que referência o cliente local está comparando o seu trabalho.
| leitura | américa latina | estados unidos | china | ásia | europa | oriente médio | áfrica |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| momento | expansão moderada, 2,4% de PIB | expansão firme, 2,1% e 2,3% | contração no luxo, 2º ano | expansão forte, puxada pela Índia | estável, com turismo em alta | expansão com esfriamento no golfo | expansão de base pequena, 4,4% |
| motor | remessas e turismo, US$ 173,7 bi | topo da renda, 45% do consumo | consumo doméstico, móveis +14,6% | nova riqueza indiana, +63% de UHNW | turismo cultural, 625 mi de chegadas | diversificação e hotelaria | classe urbana e arte contemporânea |
| risco | instabilidade macro e câmbio | concentração do consumo no topo | imobiliário em queda de 17,2% | 'ásia' não é unidade de análise | fluxo alto com museu vazio | base de consumo -15% a -25% | moeda volátil e base fina |
| postura amano | terreno principal, investir agora | referência de padrão e de preço | observar, não é prioridade curta | referência de crescimento futuro | referência de repertório e feira | referência de ambição e escala | parceria de autor, não de volume |
Cento e oito dados, levantados em oito frentes de pesquisa e classificados em três níveis de confiabilidade. Onde duas fontes discordam, a divergência está declarada no corpo do texto em vez de resolvida por conveniência.

Nada aqui é aposta sobre o futuro. O gasto já migrou para o encontro, o corpo já virou projeto de longo prazo, a casa já mudou de função, a confiança na informação já caiu e o alcance grátis já acabou. Tudo isso está medido, com fonte declarada. A pergunta que sobra não é se o terreno mudou — é quanto tempo a sua marca vai levar para operar no terreno novo.
Uma hora para olhar isto dentro do seu negócio.
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