pular para o conteúdo
Um anel com três tubos dourados verte sobre uma multidão em silhueta e uma pilha de papéis, uma mão segura o terceiro tubo
← artigos
tendências

o que é a economia do bem-estar

US$ 6,76 trilhões medidos por uma fonte só, que é parte interessada.

por Marcus Yabe · publicado em · atualizado em · leitura de 10 minutos

Economia do bem-estar é o agregado de gasto privado e público com produtos e serviços vendidos sob o rótulo de bem-estar, e não uma medida de saúde nem de qualidade de vida. Em 2024 ela somou US$ 6,76 trilhões, ou 6,12% do PIB mundial, segundo o Global Wellness Institute. É o único número global desse recorte. Quem o produz é uma organização criada para promover o setor que mede.

A palavra circulou dez anos como categoria de serviço: o spa do hotel, o programa da empresa, a linha de produto. Desde 2013 existe um número que a trata como setor. Ele é grande, cresce mais rápido que o PIB e tem uma fonte só.

Três coisas diferentes se chamam economia do bem-estar

Em português, a expressão cobre três objetos que quase não se tocam. Um é um ramo da teoria econômica. Outro é um quadro de política pública que mede resultado de vida em vez de produto. O terceiro é um mercado de consumo. Só o terceiro tem tamanho em dólares, e é dele que praticamente todo mundo está falando.

O primeiro é o mais antigo. Economia do bem-estar é a tradução consagrada de welfare economics, o ramo que estuda como avaliar arranjos sociais e distribuições. O prêmio de ciências econômicas em memória de Alfred Nobel de 1998 foi concedido a Amartya Sen, na formulação da Fundação Nobel, por suas contribuições à economia do bem-estar. Esse campo não tem tamanho de mercado. Tem teoremas.

O segundo é de política pública. A OCDE publica o How's Life?, cuja sexta edição, de novembro de 2024, acompanha mais de 80 indicadores de bem-estar. Em 2018, Escócia, Islândia e Nova Zelândia formaram o grupo Wellbeing Economy Governments, ao qual se juntaram País de Gales e Finlândia. Eles medem resultado de vida, não faturamento.

O terceiro é o mercado, e é o assunto deste artigo. O Global Wellness Institute o define como os onze setores que permitem ao consumidor incorporar bem-estar ao cotidiano.

Os onze setores que o Global Wellness Institute conta

O instituto divide o bem-estar em onze setores e publica o tamanho de cada um em dólares, para 218 países e territórios. Em 2024, três deles concentram 53,8% do total: cuidado pessoal e beleza, alimentação e nutrição, e atividade física. O que o senso comum chama de bem-estar, spa e termas, soma 3,4% do agregado.

Setor2024O que é contado
Cuidado pessoal e belezaUS$ 1.350,0 biHigiene e aparência: corpo, rosto, pele, cabelo, unhas
Alimentação, nutrição e emagrecimentoUS$ 1.148,0 biAlimentos rotulados como saudáveis, vitaminas, suplementos, dietas
Atividade físicaUS$ 1.143,9 biAtividade física intencional em lazer e recreação
Turismo de bem-estarUS$ 893,9 biA viagem inteira de quem viaja por bem-estar ou o busca em trânsito
Saúde pública, prevenção e medicina personalizadaUS$ 675,9 biServiços a pessoas sadias, prevenção e detecção de risco
Medicina tradicional e complementarUS$ 605,6 biPráticas fora da medicina convencional dominante
Imobiliário de bem-estarUS$ 548,4 biConstrução com elementos intencionais de bem-estar
Bem-estar mentalUS$ 268,3 biSentidos, espaços e sono, nutracêuticos, autodesenvolvimento
SpasUS$ 157,4 biServiços terapêuticos e profissionais em estabelecimento
Termas e águas mineraisUS$ 71,7 biUso recreativo e terapêutico de águas especiais
Bem-estar no trabalhoUS$ 53,3 biGasto do empregador com programas para funcionários
6,12%
A fatia da economia do bem-estar no PIB mundial em 2024, contra 5,67% em 2019 e 4,45% em 2013. Em valor, US$ 6,76 trilhões.
Global Wellness Institute, Global Wellness Economy Monitor 2025, dados de 2024
18,9%
A parcela do agregado de 2024 que não é gasto de consumidor: imobiliário de bem-estar, bem-estar no trabalho e saúde pública, prevenção e medicina personalizada somam US$ 1.277,6 bilhões.
Cálculo da amano sobre o Global Wellness Economy Monitor 2025 e o apêndice de definições do Country Rankings 2026
17
Os patrocinadores de pesquisa listados no relatório que mede o setor. Atuam em pelo menos sete dos onze setores medidos.
Global Wellness Institute, Global Wellness Economy Monitor 2025

A trajetória é o argumento de quem cita o agregado. Eram US$ 3,37 trilhões em 2013, primeiro ano da série, e US$ 6,76 trilhões em 2024, com projeção de US$ 9,75 trilhões em 2029.

A distribuição importa mais que o total. Em 2024, o gasto por habitante foi de US$ 6.029 na América do Norte e de US$ 607 na América Latina e Caribe, quase dez vezes menos.

O que entra que o senso comum não imagina, e o que fica de fora

O recorte inclui três coisas que ninguém associa a bem-estar: a viagem inteira de quem não viajou por bem-estar, o orçamento público de saúde preventiva e uma fração estimada da construção civil mundial. Fora o turismo, que é compra de consumidor, três dos onze setores não são gasto de consumidor e respondem por 18,9% do agregado de 2024.

O caso mais extremo é o turismo. Dos US$ 893,9 bilhões atribuídos ao turismo de bem-estar em 2024, 84% vêm do que o instituto chama de turista secundário: quem viajou por outro motivo e procurou comida saudável ou academia durante a viagem. E o que entra na conta não é o gasto dessa pessoa com bem-estar: é a viagem toda, com hospedagem, alimentação, compras e transporte interno. São US$ 748,9 bilhões de orçamentos de viagem de quem não viajou por bem-estar.

O segundo caso é público. Dos US$ 675,9 bilhões do setor de saúde pública, prevenção e medicina personalizada, US$ 529,1 bilhões são gasto com saúde pública e prevenção, estimado sobre a base da Organização Mundial da Saúde. É orçamento de governo. Daí a curva: saltou 48% em 2020 e 16% em 2021, e encolheu depois. Não foi mercado. Foi pandemia.

O terceiro é imobiliário, o setor que mais cresce, a 19,5% ao ano entre 2019 e 2024. Os US$ 548,4 bilhões correspondem a 3,3% da produção mundial de construção apurada pela Divisão de Estatística das Nações Unidas. É fração estimada de um agregado alheio, não contagem de empreendimentos.

Somados, os três setores que não são compra de consumidor dão US$ 1.277,6 bilhões, ou 18,9% dos US$ 6.763,6 bilhões de 2024: imobiliário de bem-estar, bem-estar no trabalho e saúde pública, prevenção e medicina personalizada. Spas e termas ficam fora do numerador porque o apêndice de definições do Country Rankings 2026 os define como receita de estabelecimento, que é gasto de consumidor medido do outro lado do balcão.

O bem-estar no trabalho é o único setor que encolheu em 2024, com queda de 1,5% e US$ 53,3 bilhões. O relatório atribui parte disso ao reconhecimento crescente de que falta evidência robusta de que programas desse tipo melhorem indicadores de saúde ou de bem-estar dos funcionários. Fonte: Global Wellness Institute, Global Wellness Economy Monitor 2025.

A lista de exclusões é tão informativa quanto a de inclusões. Ficam de fora medicamento com receita e procedimento médico: os análogos de GLP-1 e a cirurgia bariátrica não entram, e a cirurgia estética é classificada como turismo médico. Ficam de fora esporte profissional e alimento fresco, porque incluí-los, diz o relatório, tornaria o setor amplo demais para significar alguma coisa.

E fica de fora o investimento público em ambiente construído: praça, calçada, ciclovia, parque, planejamento urbano caminhável. O relatório descreve esses elementos como essenciais ao que chama de imobiliário de bem-estar e mesmo assim não os conta, porque não são vendidos.

Quem paga o relatório que mede o setor

O Global Wellness Institute é uma organização sem fins lucrativos registrada em Miami sob o estatuto 501(c)(3). A edição de 2025 do Monitor lista dezessete patrocinadores de pesquisa que, nas palavras do próprio documento, tornaram o relatório possível. Eles atuam em pelo menos sete dos onze setores medidos.

Entre os nomes listados estão a Aldar Properties, incorporadora de Abu Dhabi; a Amway, de venda direta de vitaminas e suplementos; a rede hoteleira Hyatt; o Therme Group, que opera destinos urbanos de águas termais; e a Technogym, de equipamento de ginástica.

O preço do lugar nessa lista está publicado em página aberta do instituto: o patrocínio de pesquisa começa em US$ 19.900 e dá nome e citação em todas as cópias do estudo.

Duas coincidências merecem registro, sem que nenhuma prove causalidade. O imobiliário de bem-estar tem a maior projeção do levantamento até 2029, a 15,2% ao ano. E as termas, que cresceram 1,7% ao ano nos cinco anos medidos, aparecem projetadas a 10,0% ao ano nos cinco seguintes.

O relatório é explícito sobre por que mede: entre os efeitos que atribui ao próprio trabalho, lista o de articular setores ainda não bem compreendidos, ajudando-os a atrair investidores e a decolar. É advocacia declarada, não descoberta jornalística.

É justo dizer o outro lado. O documento registra que não mede a saúde nem o bem-estar das pessoas, apenas o gasto, que incluir um produto não significa afirmar que seja benéfico ou cientificamente comprovado, e que a expansão pode vir de poucos consumidores comprando mais caro.

O problema, portanto, não é desonestidade. É ausência de contraditório. Uma série que não pode ser conferida contra outra é a melhor informação disponível e é informação sem revisor.

O que as estatísticas oficiais medem quando medem bem-estar

Nenhum instituto de estatística mede bem-estar como setor, e a frase é do próprio Global Wellness Institute, que registra no relatório que a indústria de bem-estar não aparece em nenhuma base setorial padrão de governos e organismos multilaterais. O que existe do lado oficial mede saúde, turismo ou qualidade de vida, com norma internacional e revisão.

Do lado da saúde há um sistema completo. A Organização Mundial da Saúde mantém a Global Health Expenditure Database, sobre a qual o Banco Mundial publica a despesa corrente em saúde. Em 2023 ela foi de 10,06% do PIB mundial, quase dois terços acima dos 6,12% do bem-estar, apurada país a país sob norma comum.

No Brasil existe o exemplo mais próximo do que uma medida auditável de bem-estar teria de ser. A Conta-Satélite de Saúde: Brasil 2010-2021, publicada pelo IBGE em 2024, foi construída por técnicos do IBGE, do Ministério da Saúde, da ANS, da Fiocruz e do Ipea. Em 2021, o consumo final de bens e serviços de saúde no país foi de 9,7% do PIB, ou R$ 872,7 bilhões, dos quais R$ 509,3 bilhões de famílias e R$ 363,4 bilhões do governo.

Uma conta-satélite entrega o que um estudo de mercado não entrega. Além da despesa, ela informa que as atividades de saúde responderam por 7,7% do valor adicionado da economia brasileira, 8,0% das ocupações e 10,5% das remunerações em 2021, com metodologia amarrada ao Sistema de Contas Nacionais. O preço desse rigor é o calendário: o IBGE publicou em 2024 dados de 2021, e o instituto publicou em novembro de 2025 dados de 2024.

Há precedente de como se resolve isso. O turismo produziu norma: o Tourism Satellite Account: Recommended Methodological Framework 2008 foi adotado em conjunto pelas Nações Unidas, pela Organização Mundial do Turismo, pela OCDE e pelo Eurostat. Para bem-estar não existe equivalente.

Onde o entusiasmo é maior que o dado

Quatro ressalvas separam a leitura honesta do folheto de vendas. Os números são nominais, não corrigidos por inflação. São medidos em dólar. A série inteira se reescreve a cada edição. E a sobreposição entre os onze setores, que o instituto declara tratar no cálculo, aparece no resíduo como 2,2%, sem que a matriz seja publicada.

A primeira é de inflação. O relatório adverte que, com inflação mundial de 5,7% em 2024, um número maior pode significar apenas que as pessoas pagaram mais caro pelo mesmo item.

A segunda é de câmbio, e o Brasil é o exemplo do documento. O mercado brasileiro de cuidado pessoal e beleza encolheu 0,7% ao ano em dólar entre 2019 e 2024 e cresceu 5,7% ao ano quando medido em reais. Mesmo mercado, dois sinais opostos, conforme a moeda.

A terceira é de estabilidade. Os dados de 2019 a 2023 foram revistos em relação à edição anterior, por mudança de definição e por revisão das bases subjacentes. Uma série que se reescreve serve para ordem de grandeza, não para comparar casas decimais entre edições.

A quarta é a sobreposição. Os onze setores somam US$ 6.916,4 bilhões e o total publicado é de US$ 6.763,6 bilhões, um resíduo de 2,2%. A nota da figura declara que os valores não somam ao total por sobreposição de segmentos, e a página 43 do Monitor informa duas vezes que o instituto trata essa sobreposição ao agregar. O que ele não publica é a matriz que permitiria a terceiros refazer a conta, num recorte em que o turismo de bem-estar já inclui hospedagem e alimentação.

E há uma inversão que o próprio relatório registra e quase ninguém cita. Onde o bem-estar já está embutido na cultura, no ambiente construído ou em política pública deliberada, a economia do bem-estar tende a ser menor. Praça, trilha e feira reduzem a necessidade de comprar bem-estar no mercado. O indicador sobe quando o serviço público falha.

O que a economia do bem-estar é, afinal

A economia do bem-estar é um agregado de gasto rotulado como bem-estar, não uma medida de bem-estar. Serve para dimensionar demanda e comparar ordens de grandeza entre setores. Não serve para provar efeito, para justificar preço nem para atestar que alguém está melhor por ter gasto.

A hipótese de que o bem-estar deixou de ser categoria de serviço e virou setor econômico sobrevive pela metade. Virou agregado contável, com onze compartimentos, série de doze anos e recorte por país. Não virou setor mensurável no sentido em que saúde e turismo são mensuráveis, porque falta a segunda medida e falta a norma comum.

Quem opera marca neste território precisa usar o número com a edição declarada. O relatório latin america in focus 2026 da amano registra que a América Latina e o Caribe cresceram 24,0% ao ano em imobiliário de bem-estar entre 2019 e 2024, a maior taxa regional do mundo na Figura 3.2 do Monitor 2025 do Global Wellness Institute. A ressalva viaja com o dado: a taxa é altíssima porque a base era mínima. São US$ 1,6 bilhão em 2024 contra US$ 550 milhões em 2019, num mercado global de US$ 548,4 bilhões. A região é 0,3% do setor.

A economia do bem-estar existe, é grande e é contável. Ela ainda não é medida. Contar é o que uma parte interessada consegue fazer sozinha. Medir é o que exige um segundo conferindo.

perguntas frequentes

o que é a economia do bem-estar?

É o agregado de gasto com produtos e serviços vendidos sob o rótulo de bem-estar, dividido em onze setores pelo Global Wellness Institute. Em 2024 somou US$ 6,76 trilhões, ou 6,12% do PIB mundial. Não é uma medida de saúde nem de qualidade de vida: mede fatura, não resultado.

quais são os setores da economia do bem-estar?

São onze, na contagem do Global Wellness Institute para 2024: cuidado pessoal e beleza, alimentação e nutrição, atividade física, turismo de bem-estar, saúde pública e prevenção, medicina tradicional e complementar, imobiliário de bem-estar, bem-estar mental, spas, termas e bem-estar no trabalho.

o número do Global Wellness Institute é confiável?

A metodologia é publicada e a série é consistente desde 2013, o que é mais do que a maior parte dos estudos de mercado oferece. O limite é outro: o instituto existe para promover o setor que mede, a edição de 2025 lista dezessete patrocinadores da indústria, e não há série independente para conferir.

qual a diferença entre economia do bem-estar e gasto com saúde?

São contas separadas. A despesa corrente com saúde no mundo foi 10,06% do PIB em 2023, na base da Organização Mundial da Saúde. A economia do bem-estar foi 6,12% do PIB em 2024, pelo Global Wellness Institute. Medicamento com receita, cirurgia e procedimento médico ficam fora do segundo número.

por que turismo e imóveis entram na conta do bem-estar?

Porque o recorte soma a despesa inteira. No turismo de bem-estar, 84% do valor em 2024 vem de viagens feitas por outro motivo, e o que se conta é a viagem toda. No imobiliário, o valor é uma fração estimada da produção mundial de construção, 3,3% dela, e não uma contagem de imóveis.

Retrato de Marcus Yabe
sobre o autor

Marcus Yabe

sócio-fundador · estratégia e criatividade

Trabalha no encontro entre estratégia, comunicação, negócios, conteúdo e relações. Foi CEO do LIDE Paraná, diretor executivo da Paraná Business e publisher da TOPVIEW.

fontes
  1. Global Wellness Institute. Global Wellness Economy Monitor 2025, novembro de 2025, dados de 2024.
  2. Global Wellness Institute. Country Rankings 2026, janeiro de 2026, apêndice de definições, páginas 49 e 50.
  3. Global Wellness Institute. Wellness Real Estate Market Reaches $876 Billion, release de 12 de maio de 2026.
  4. Global Wellness Institute. Research Sponsor, com o piso do patrocínio de pesquisa.
  5. Fundação Nobel. The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 1998.
  6. Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde. Current health expenditure (% of GDP), Global Health Expenditure Database, dados de 2023.
  7. IBGE. Conta-Satélite de Saúde: Brasil 2010-2021, 2024.
  8. Nações Unidas, Organização Mundial do Turismo, OCDE e Eurostat. Tourism Satellite Account: Recommended Methodological Framework 2008.
  9. OCDE. How's Life? 2024: Measuring Well-being, novembro de 2024.
  10. Governo da Escócia. Wellbeing Economy Governments (WEGo).
  11. amano casa criativa. latin america in focus 2026.
continue

O tema não termina aqui.

report · tendências da cultura material

A página-pilar deste conjunto: economia criativa, experiência, design e cidade.

report

os US$ 125 bilhões de bem-estar do Brasil são feitos de população, câmbio e patrocínio

O mesmo instituto, agora olhando só para o Brasil: quanto do número é gente, quanto é moeda, quanto é quem pagou a pesquisa.

artigo

report · anatomia do luxo brasileiro

Quem é o comprador brasileiro de alto padrão e como ele decide, camada por camada.

report
conhecer a frente OFÍCIO