atlas da riqueza

Dois terços dos ativos que o Paraná declara no exterior pertencem a quem mora em Curitiba, uma cidade que reúne um quarto dos declarantes do estado.

Receita Federal, Grandes Números do IRPF 2025, ano-calendário 2024 · classe A, dado direto
14 seções4 geografias3 cenáriosevidência classificadaleitura de 38 minutos
Desenho de linha: quatro convidados brindando à mesa diante de uma janela com a cidade ao entardecer.
Riqueza medida com rigor e lida com cuidado. Cada número deste atlas carrega valor, ano, fonte e classe de evidência.
01 — definições e método

Antes de contar pessoas ricas, é preciso decidir o que significa "rico"

A mesma pessoa pode entrar em uma base de dados e ficar fora de outra. Qual é o critério?

O mercado de wealth management organiza produtos, atendimento e inteligência por faixas patrimoniais. O problema é que a fronteira de US$ 1 milhão pode significar patrimônio líquido total ou apenas ativos investíveis, e isso altera dramaticamente o tamanho do universo medido.

faixareferência operacionalobservação
Affluent / alta rendaSem padrão global únicoÚtil comercialmente, pouco comparável entre fontes
Private ANBIMAMais de R$ 5 milhões investidosMede ativos distribuídos, não patrimônio líquido total
HNWI — CapgeminiUS$ 1 mi ou mais em ativos investíveisExclui residência principal, colecionáveis e bens duráveis
USD millionaire — UBSPatrimônio líquido acima de US$ 1 miInclui ativos financeiros e não financeiros, descontadas dívidas
VHNW — AltrataUS$ 5 mi a US$ 30 miFaixa intermediária antes do UHNW
UHNW / UHNWIMais de US$ 30 miUsada por Altrata, Knight Frank e Capgemini, com modelos diferentes
BilionárioUS$ 1 bi ou maisForbes usa preços de ativos e câmbio em data de corte específica
Referência operacional das principais faixas de riqueza usadas neste estudo.
regra central

Renda não é patrimônio. Patrimônio declarado não é valor de mercado. Os dados da Receita são extraordinariamente úteis para geografia patrimonial, mas "bens e direitos" seguem regras fiscais e, em muitos casos, valores históricos de aquisição. Residência fiscal do declarante também não equivale à localização física dos ativos. Este estudo usa essas medidas como indicadores de escala e concentração, nunca como avaliação patrimonial a mercado.

Três fontes podem usar o mesmo rótulo UHNW e produzir universos muito diferentes. Em 2025, a Capgemini estimou cerca de 250 mil UHNWIs globais. A Altrata estimou 556.850. Para 2026, o modelo da Knight Frank aponta 713.626. A divergência não é erro aritmético: reflete escopo, dados de entrada, tratamento de ativos privados, cobertura geográfica e modelo estatístico.

Capgemini 2025
250 mil
Altrata 2025
556,9 mil
Knight Frank 2026
713,6 mil
UHNW global: modelos não diretamente comparáveis. Não usar como série temporal. Fontes: Capgemini World Wealth Report 2026; Altrata World Ultra Wealth Report 2026; Knight Frank Wealth Sizing Model 2026.

Este estudo usa uma âncora por universo, sempre nomeada: UBS para "USD millionaires" no Brasil, Knight Frank para UHNW no Brasil, ANBIMA para ativos financeiros distribuídos e Receita Federal para a geografia local. Classificamos cada conclusão relevante em três classes de evidência: A — dado direto (número publicado ou calculado a partir de base oficial), B — proxy / triangulação (indicador indireto usado para aproximar riqueza) e C — estimativa modelada (cenário construído a partir de bases distintas, com fórmula e intervalo explícitos). Nunca apresentamos estimativa como censo.

Desenho de linha: mesa longa posta diante de janela alta, taças alinhadas.
Riqueza não é um número na planilha. É uma ocasião, um lugar e um conjunto de decisões que se repetem.
02 — o mundo da riqueza em 2026

O planeta ficou mais rico, e mais desigual

A riqueza global voltou a acelerar. Mas ela cresce mais rápido em qual camada?

A UBS estima que a riqueza pessoal global cresceu 10,8% em dólares em 2025, o maior ritmo desde 2017, com expansão de 17,5% na região EMEA, 8,5% nas Américas e 5,9% na Ásia-Pacífico. O próprio relatório alerta que o câmbio amplificou parte do crescimento fora dos Estados Unidos. A mensagem estrutural importa mais que o número anual: ativos financeiros e não financeiros voltaram a crescer ao mesmo tempo, enquanto a mediana de riqueza caiu em muitos mercados. "O mundo ficou mais rico" e "a pessoa mediana ficou mais rica" são afirmações diferentes.

A Capgemini, usando ativos investíveis, estima 25,3 milhões de HNWIs ao fim de 2025, crescimento de 7,9%, com riqueza combinada de US$ 98,3 trilhões, alta de 8,7%. Dentro desse modelo, o 1% mais rico dos HNWIs concentra 34,8% da riqueza HNWI. A Altrata estima 50,9 milhões de HNWIs, dos quais 556.850 eram UHNWIs: apenas 1,1% do universo, concentrando US$ 63,8 trilhões, equivalentes a 32% da riqueza medida.

insight

O topo da riqueza não é apenas maior; ele cresce mais rápido. Para empresas premium, serviços financeiros, real estate e ecossistemas de relacionamento, a expansão relevante não ocorre somente na "classe milionária" ampla. O UHNW ganha peso desproporcional porque reúne capacidade de investimento, consumo discricionário, mobilidade e influência econômica.

A Forbes registrou 3.428 bilionários na lista mundial de 2026, 400 a mais do que em 2025, com patrimônio conjunto de US$ 20,1 trilhões. É o maior número da história da publicação, com data de corte de preços e câmbio em 1º de março de 2026.

bilionários no mundo
2025
3.028
2026
3.428
Número de bilionários nas listas Forbes 2025 e 2026. Fonte: Forbes World's Billionaires, 2026.

Bilionários são um símbolo do extremo superior, mas não devem ser tratados como sinônimo de mercado de luxo ou de riqueza. A maior parte do mercado endereçável para private banking, experiências premium, imóveis de alta gama e serviços sofisticados está dezenas de milhares abaixo desse topo, e é muito menos pública.

A mobilidade da riqueza deixou de ser apenas mudança definitiva de residência. O Henley Private Wealth Migration Report 2026 descreve o avanço de "portfólios soberanos", nos quais famílias combinam residências, cidadanias, investimentos, empresas e direitos de permanência em mais de uma jurisdição. O relatório projetava 165 mil movimentos de milionários em 2026, após 142 mil em 2025. Nos primeiros cinco meses de 2026, 28% dos clientes que buscaram programas de mobilidade junto à Henley já viviam fora de seu país de nacionalidade. Para grandes fortunas, geografia passou a ser uma classe de risco: tributação, segurança jurídica, educação, saúde, acesso a mercados e resiliência geopolítica entram na arquitetura patrimonial.

O conceito contemporâneo de riqueza combina cinco dimensões: capital financeiro, capital empresarial, capital imobiliário, capital relacional e capital de liberdade. A última dimensão ganhou relevância com a internacionalização: tempo, mobilidade, acesso, privacidade e capacidade de escolher onde viver e investir tornam-se parte do valor percebido. Isso explica por que mercados aparentemente distantes convergem ao redor do UHNW: private banking, private equity, aviação, hotéis, educação internacional, wellness, arte, arquitetura, segurança, gastronomia, concierge, cidadania e filantropia competem pelo mesmo recurso escasso, que é atenção e confiança.

Desenho de linha: veleiro ancorado em enseada entre falésias, sol baixo sobre a água.
A riqueza global cresce mais rápido onde já era maior. A escala do topo é planetária, e a mobilidade faz parte do ativo.
03 — Brasil: riqueza e concentração

Um mercado milionário relevante em escala mundial

Quanta riqueza o Brasil concentra, e por que as pesquisas domiciliares tradicionais captam mal o seu topo?

O Global Wealth Report 2026 da UBS estima aproximadamente 386 mil USD millionaires no Brasil em 2025, a maior concentração da América Latina. A UBS mede patrimônio líquido, combinando ativos financeiros e não financeiros e descontando dívidas — definição diferente da Capgemini, que utiliza ativos investíveis. Esse número é a principal âncora deste estudo para modelar, de forma indicativa, a distribuição potencial de milionários no Paraná e em Curitiba: não é um cadastro individual e não pode ser municipalizado diretamente sem hipóteses explícitas.

No modelo de dimensionamento da Knight Frank, o Brasil aparece com 5.808 UHNWIs em 2026, definidos como pessoas com patrimônio líquido superior a US$ 30 milhões, com projeção de 6.505 até 2031. A vantagem da referência Knight Frank é permitir um "top-down" consistente para dimensionar ordem de grandeza regional; a desvantagem é a ausência de abertura pública por estado ou município.

O topo visível é menor e mais concentrado: a Forbes Brasil contabilizou 71 brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 bilhão na lista de 2026, com fortuna conjunta de US$ 291,9 bilhões. Na edição anterior, a lista registrava 55 nomes e US$ 210,2 bilhões — um avanço que reflete valorização patrimonial, novos integrantes e dinâmica de empresas e mercados. Os setores incluem finanças, indústria, varejo, tecnologia e agronegócio; a leitura mais útil não é "quem são", mas como a riqueza brasileira permanece fortemente ligada à propriedade empresarial, o que afeta liquidez, sucessão, governança e forma de acesso ao mercado premium.

implicação

O estudo "Tax Progressivity and Inequality in Brazil" (Palomo et al., EU Tax Observatory, 2025), com microdados administrativos integrados, estima que o 1% mais rico recebeu 27,4% da renda nacional antes de impostos em 2019, o 0,1% (cerca de 150 mil pessoas) concentrou 12,4% e o 0,01% (cerca de 15 mil pessoas) concentrou 6,1%. A FGV Social chegou a conclusão metodológica semelhante ao combinar PNAD e IRPF: o Gini de 2020 sobe de 0,6013 na PNAD para 0,7068 quando a renda do topo é melhor incorporada. O topo da distribuição é pequeno demais para ser bem capturado por amostras domiciliares — IRPF, registros administrativos e dados de wealth intelligence são indispensáveis para enxergar sua real magnitude.

A ANBIMA informa que os investimentos de pessoas físicas distribuídos pelas instituições participantes somaram R$ 8,5 trilhões ao fim de 2025, alta de 15,5% em doze meses. A alta renda liderou o crescimento, com 21,2%, alcançando R$ 3,13 trilhões; o varejo tradicional chegou a R$ 2,82 trilhões; e o segmento private, definido como clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, encerrou o ano com R$ 2,63 trilhões, alta de 14,9%. A própria ANBIMA ressalta que uma parcela relevante do patrimônio de clientes private é alocada no exterior e não aparece nessas estatísticas — portanto, R$ 2,63 trilhões devem ser lidos como ativos no universo reportado, não como patrimônio financeiro total dos clientes private brasileiros.

varejo tradicional
R$ 2,82 tri
alta renda
R$ 3,13 tri
private (>R$ 5 mi)
R$ 2,63 tri
Estoque de investimentos financeiros de pessoas físicas por segmento, dezembro de 2025. Fonte: ANBIMA, 24/02/2026.

O World Wealth Report 2026 da Capgemini revela um paradoxo que também descreve o Brasil: a riqueza cresce, mas apenas 17% dos HNWIs descrevem sua experiência de assessoria como fluida e personalizada. 42% precisam repetir objetivos e preferências para a mesma instituição. Entre 2019 e 2025, a parcela que mantém relacionamento exclusivo com uma única gestora caiu de 39% para 19%; 88% já trabalham com múltiplas empresas para acessar melhores oportunidades em investimentos alternativos. Entre 2022 e 2025, a Capgemini estima que US$ 1,5 trilhão em novos ativos sob assessoria foram capturados por concorrentes, wealthtechs e independentes, e não pelas gestoras tradicionais.

oportunidade

O déficit não é de produto. É de contexto e orquestração. Quanto maior o patrimônio, menos valor existe em ser apenas mais um fornecedor. O diferencial tende a migrar para visão integrada do cliente, acesso, inteligência, especialistas coordenados, conveniência e confiança institucional.

Desenho de linha: três figuras em terraço ao entardecer, taça erguida, luzes penduradas.
O Brasil concentra o maior universo de milionários em dólar da América Latina, e quase toda pesquisa domiciliar erra o seu topo.
04 — Paraná: a geografia da riqueza

Mais patrimonializado do que o peso populacional sugere

O Paraná pesa mais em riqueza declarada do que em número de declarantes?

O Paraná reúne 2.818.144 declarantes na base analisada, equivalentes a 6,8% dos declarantes brasileiros. Esses contribuintes informaram R$ 1,56 trilhão em bens e direitos, 8,0% do total nacional, e R$ 398,8 bilhões de renda total declarada, 6,5% do país. O estado concentra uma parcela maior do estoque de bens e direitos (8,0%) do que de declarantes (6,8%) — um primeiro sinal de intensidade patrimonial. O Paraná também informou R$ 44,5 bilhões em ativos no exterior e R$ 55,4 bilhões em lucros e dividendos isentos.

Quando os estados são ordenados pelo estoque agregado de bens e direitos, o Paraná aparece na quarta posição, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e à frente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

#UFbens e direitosparticipação Brasil
1São PauloR$ 7,95 tri40,9%
2Rio de JaneiroR$ 1,80 tri9,3%
3Minas GeraisR$ 1,62 tri8,3%
4ParanáR$ 1,56 tri8,0%
5Rio Grande do SulR$ 1,33 tri6,8%
6Santa CatarinaR$ 991,15 bi5,1%
7Distrito FederalR$ 592,83 bi3,1%
8GoiásR$ 545,46 bi2,8%
Estados líderes em estoque agregado de bens e direitos declarados. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024. Cálculos deste estudo.

Na média simples entre declarantes, o Paraná registra R$ 553.350 em bens e direitos por contribuinte — a terceira posição entre as UFs, atrás do Distrito Federal e de São Paulo. A média não descreve distribuição interna e é puxada pelo topo, mas reforça a densidade patrimonial estadual.

Curitiba domina o estoque patrimonial agregado, mas o Paraná tem uma rede relevante de polos secundários, especialmente Londrina, Maringá, Cascavel e municípios ligados à indústria, serviços e agronegócio. Esse padrão importa para qualquer estratégia de relacionamento: o mercado de grandes fortunas não se resume à capital.

municípiodeclarantesbens e direitosmédia por declaranterenda total
Curitiba705.017R$ 676,6 biR$ 959.753R$ 141,6 bi
Londrina164.096R$ 96,5 biR$ 588.163R$ 27,4 bi
Maringá134.783R$ 81,4 biR$ 603.718R$ 22,7 bi
Cascavel97.684R$ 71,9 biR$ 735.691R$ 15,2 bi
São José dos Pinhais92.746R$ 59,7 biR$ 643.770R$ 9,0 bi
Ponta Grossa93.239R$ 45,9 biR$ 491.834R$ 11,7 bi
Foz do Iguaçu73.965R$ 29,0 biR$ 391.860R$ 10,1 bi
Toledo43.282R$ 21,9 biR$ 505.464R$ 6,2 bi
Guarapuava41.499R$ 20,8 biR$ 500.820R$ 6,3 bi
Umuarama25.157R$ 14,9 biR$ 591.093R$ 3,7 bi
Top 10 municípios do Paraná por bens e direitos declarados. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024. Cálculos deste estudo.

A tabela de faixas da Receita permite observar declarantes paranaenses em patamares elevados de renda anual: 20.926 declarantes acima de 80 salários mínimos anuais, 7.800 acima de 160 e 3.071 acima de 320. Usando o salário mínimo mensal de 2024 (R$ 1.412) apenas para dar intuição de escala, essas faixas equivalem aproximadamente a renda anual acima de R$ 1,36 milhão, R$ 2,71 milhões e R$ 5,42 milhões — uma medida de renda corrente, não de patrimônio.

leitura estratégica

Tamanho e densidade são coisas diferentes. Curitiba é o maior mercado absoluto. Londrina, Maringá e Cascavel combinam escala e patrimônio. Municípios menores podem ter densidade muito alta, mas menor volume de potenciais clientes. Quatro mapas devem coexistir para o Paraná: o mapa absoluto (liderado por Curitiba), o mapa de riqueza empresarial (polos agroindustriais e cidades médias), o mapa de patrimônio médio (onde municípios pequenos aparecem fortes por poucos grandes patrimônios) e o mapa relacional (famílias, herdeiros, conselhos e ecossistemas locais).

Desenho de linha: mão sobre a haste de uma taça, mesa posta para dois sobre um vale.
O Paraná pesa mais em patrimônio declarado do que em número de declarantes.
05 — Curitiba: deep dive patrimonial

Um quarto dos declarantes, quase metade do patrimônio

O quanto Curitiba concentra dentro do próprio Paraná?

Curitiba reúne 705.017 declarantes na base do IRPF analisada. Eles informaram R$ 676,6 bilhões em bens e direitos, R$ 141,6 bilhões em renda total declarada, R$ 26,3 bilhões em lucros e dividendos isentos, R$ 29,5 bilhões em ativos no exterior e R$ 18,8 bilhões em previdência complementar / VGBL. A média de bens e direitos por declarante é de aproximadamente R$ 959.753 — fortemente influenciada pela cauda superior, e não representativa do residente médio da cidade.

indicadorCuritibaParanáCuritiba / PR
Declarantes705.0172.818.14425,0%
Renda total declaradaR$ 141,6 biR$ 398,8 bi35,5%
Bens e direitosR$ 676,6 biR$ 1,56 tri43,4%
Lucros e dividendosR$ 26,3 biR$ 55,4 bi47,4%
Ativos no exteriorR$ 29,5 biR$ 44,5 bi66,3%
Previdência / VGBLR$ 18,8 biR$ 35,4 bi53,2%
Participação de Curitiba nas principais métricas do Paraná. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024. Cálculos deste estudo.
declarantes
25,0%
renda total
35,5%
bens e direitos
43,4%
dividendos
47,4%
ativos no exterior
66,3%
VGBL
53,2%
Quanto Curitiba concentra do Paraná, por indicador. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024.
indicador proprietário

Índice de intensidade patrimonial de Curitiba. Dividindo a participação de Curitiba nos bens e direitos (43,4%) pela participação nos declarantes (25,0%), obtém-se um índice de 1,73x. Em ativos no exterior, a intensidade chega a aproximadamente 2,65x. É uma forma simples de mostrar que a capital concentra capital em proporção muito superior ao número de contribuintes.

Mais importante que a proporção interna de Curitiba (4,4% do próprio estoque de bens em ativos no exterior, contra 2,9% no Paraná) é a concentração estadual: dois terços dos ativos no exterior declarados por contribuintes do Paraná estão associados a domicílios em Curitiba. É um forte indicador de internacionalização patrimonial, ainda que não revele tipo de ativo, jurisdição, liquidez ou estrutura de titularidade.

Lucros e dividendos isentos somaram R$ 26,3 bilhões entre os declarantes de Curitiba, cerca de 18,6% da renda total declarada estimada. Rendimentos isentos e não tributáveis, de forma mais ampla, representam 47,3%. O padrão é compatível com uma cidade na qual proprietários de empresas, profissionais organizados via pessoa jurídica, investidores e famílias com patrimônio relevante têm peso desproporcional.

O estoque de bens e direitos de Curitiba equivale a aproximadamente 4,8 vezes a renda total anual declarada. Dívidas e ônus informados equivalem a cerca de 5,0% do estoque bruto de bens e direitos — no Paraná, a relação entre dívidas e bens é de 7,2%. Essas relações não constituem balanço patrimonial consolidado; funcionam como sinais agregados de patrimonialização e estrutura de renda.

O mercado imobiliário é uma das expressões visíveis da riqueza urbana, mas não mede diretamente número de ultra-ricos. Em Curitiba, a ADEMI-PR informou que o mercado vertical encerrou o segundo trimestre de 2025 com estoque 12% menor em doze meses, preço médio do metro quadrado privativo 15,4% maior e vendas de apartamentos 5% superiores. No primeiro semestre de 2025, os lançamentos recuaram 47%, favorecendo a absorção do estoque. No segmento de luxo, levantamento da Brain apontou que a participação de novos empreendimentos classificados como luxo teria passado de 6,6% em 2020 para 12,5% em 2025.

Desenho de linha: cliente diante do espelho enquanto o alfaiate ajusta o ombro do paletó.
Serviço de alto padrão é prova, não vitrine. É onde o patrimônio encontra o cotidiano.
Desenho de linha: torres residenciais ao entardecer vistas de um terraço com mesa posta.
Um quarto dos declarantes do estado, quase metade do patrimônio. A concentração tem endereço.
06 — dimensionamento estratégico

Quantos milionários podem existir no Paraná e em Curitiba?

Não existe contagem pública de USD millionaires por estado ou município no Brasil. Como estimar com responsabilidade?

Para construir uma faixa estratégica, partimos dos 386 mil USD millionaires estimados pela UBS para o Brasil e aplicamos três proxies da Receita Federal: participação do Paraná na renda total declarada, na quantidade de declarantes e nos bens e direitos.

Conservador

25,3 mil
Brasil × participação PR na renda (6,5%)

Intermediário

26,1 mil
Brasil × participação PR em declarantes (6,8%)

Superior

31,0 mil
Brasil × participação PR em bens e direitos (8,0%)

A faixa resultante é de aproximadamente 25,3 mil a 31,0 mil USD millionaires no Paraná. Como número de planejamento, um ponto central próximo de 28 mil é defensável, sempre rotulado como estimativa, nunca como contagem oficial.

Para Curitiba, o modelo combina a faixa estadual com três participações municipais: declarantes, renda total e bens e direitos.

Conservador

6.325
Brasil × share PR na renda × share Curitiba nos declarantes

Base

11.003
Brasil × share PR nos bens × share Curitiba na renda estadual

Superior

13.446
Brasil × share PR nos bens × share Curitiba nos bens estaduais
faixa de trabalho

Curitiba: aproximadamente 6,3 mil a 13,4 mil USD millionaires. Para planejamento comercial e institucional, o cenário central de 10 mil a 11 mil pessoas é uma âncora razoável. A amplitude do intervalo é intencional e representa incerteza metodológica, diferença entre riqueza líquida e valores fiscais declarados, e concentração desigual da riqueza dentro da cidade.

Usando os 5.808 UHNWIs do Brasil estimados pela Knight Frank em 2026 e repetindo os proxies estaduais, o Paraná ficaria em uma faixa de aproximadamente 380 a 466 UHNWIs. Para Curitiba, a faixa modelada fica em torno de 95 a 202 pessoas — número central próximo de 150. Esse resultado deve ser interpretado como ordem de grandeza, não como lista ou censo: um erro de 50% ainda deixaria o mercado no mesmo patamar estratégico, poucas centenas de indivíduos ou famílias com capacidade patrimonial excepcional e uma rede de influência muito maior que o seu número.

ParanáCuritiba
USD mi — conservador
25,3 mil
USD mi — Curitiba cons.
6.325
USD mi — superior
31,0 mil
USD mi — Curitiba sup.
13.446
Estimativas por proxies, não contagens oficiais. Fontes: UBS Global Wealth Report 2026 + Knight Frank Wealth Sizing Model 2026 + Receita Federal GN IRPF 2025 AC2024; modelo deste estudo.

A ANBIMA reporta R$ 2,63 trilhões no segmento private brasileiro. Não há, na mesma publicação, abertura municipal pública que permita identificar Curitiba diretamente. Aplicando participação estadual na renda e nos bens declarados, o Paraná teria uma ordem de grandeza entre R$ 172 bilhões e R$ 211 bilhões de ativos private. Para Curitiba, cenários combinados resultam aproximadamente entre R$ 43 bilhões e R$ 92 bilhões.

uso correto

Trate como TAM indicativo. Este modelo é adequado para responder "qual pode ser a escala?" e inadequado para afirmar "quanto dinheiro private existe em Curitiba". A validação ideal exige dados regionais de instituições financeiras, ANBIMA em nível de domicílio mais granular ou pesquisa proprietária com family offices e plataformas de wealth management.

Desenho de linha: três copos de cristal em fila, cada um com um nível diferente de líquido.
Conservador, base e superior. Três premissas explícitas, e o intervalo entre elas dito em voz alta.
07 — comportamento, luxo e experiências

Do luxo de ostentação ao luxo emocional

O que muda no comportamento de quem já resolveu o básico?

Em "o luxo eterno", Gilles Lipovetsky e Elyette Roux descrevem uma passagem estrutural do luxo puramente demonstrativo para um luxo cada vez mais emocional, individualizado e experiencial. Isso não elimina sinais de status. O que muda é a ampliação da gramática: bem-estar, prazer, autenticidade, memória, qualidade do tempo e realização pessoal ganham espaço ao lado da distinção social. Para o mercado de grandes fortunas, essa tese ajuda a explicar por que experiências altamente curadas podem valer mais do que benefícios volumosos.

Em "a estetização do mundo", Lipovetsky e Jean Serroy analisam como o capitalismo passou a incorporar design, sensibilidade, experiência e narrativa como dimensões centrais de valor. Para o mercado premium, isso significa que excelência funcional é apenas requisito de entrada; a percepção final é construída pela totalidade — arquitetura, materialidade, linguagem, serviço, ritual, ritmo e curadoria. Essa lógica é particularmente forte entre clientes que já conseguem comprar qualidade técnica: quando o dinheiro resolve o básico, o valor desloca-se para o raro, o singular e o bem composto.

Na alta riqueza, bens materiais continuam importantes, mas quatro ativos não escaláveis ganham centralidade: tempo (reduzir fricção vale dinheiro: concierge real, logística antecipada, decisões resolvidas antes de virarem problema); silêncio (ambientes sem excesso de estímulo e sem exposição indesejada); acesso (pessoas, informações e experiências que não são distribuídas massivamente); e privacidade (poder participar sem transformar a participação em espetáculo, com consentimento explícito para fotos e dados protegidos).

descoberta não óbvia

Os dados da Capgemini tornam mensurável um problema que o luxo conhece há décadas: personalização de verdade exige memória institucional. Se 42% dos HNWIs precisam repetir seus objetivos e preferências para a mesma empresa, o cliente percebe fragmentação mesmo quando o atendimento é cordial. Personalização de verdade significa saber o que não oferecer, entender contexto familiar e profissional, coordenar especialistas e respeitar preferências sem transformar informação em invasão.

A ideia de "portfólio" ajuda a entender o consumidor de alta riqueza: ele distribui orçamento e atenção entre patrimônio, viagens, gastronomia, arte, wellness, educação, filantropia e relações. O objetivo nem sempre é acumular mais, mas aumentar a qualidade de vida e a densidade das experiências. Isso gera oportunidade para formatos recorrentes, não apenas eventos isolados — uma agenda anual bem desenhada pode ocupar diferentes territórios de valor, com frequência suficiente para gerar pertencimento e baixa o bastante para preservar escassez.

Duas pessoas com US$ 30 milhões podem se comportar de forma completamente diferente. Uma pode ter 80% do patrimônio concentrado na empresa e baixa liquidez; outra pode ter liquidez global e vida internacional; uma terceira pode ter herdado ativos e ainda não controlar decisões familiares. Segmentação premium precisa combinar patrimônio com origem, liquidez, geração, momento de vida, geografia e papel familiar.

dimensãopergunta estratégicaexemplos de segmentos
Origem da riquezaComo o patrimônio foi criado?Empreendedor, herdeiro, executivo, profissional, investidor
LiquidezQuanto é patrimônio disponível versus empresa/real estate?Líquido, concentrado, pós-liquidez, pré-exit
GeraçãoQuem decide hoje e quem decidirá amanhã?Founder, G2, G3, next gen
GeografiaOnde vive, investe e circula?Local, nacional, multirresidencial, global
MotivaçãoO que busca maximizar?Crescimento, preservação, legado, acesso, impacto, liberdade
Estilo relacionalComo prefere participar?Privado, comunitário, intelectual, experiencial, filantrópico
Desenho de linha: mão enluvada ajustando uma taça de cristal em mesa posta, vela acesa ao lado.
O luxo deixou de ser o objeto exposto e passou a ser o gesto que se recebe.
Desenho de linha: mão enluvada apresentando um lacre sobre bandeja a um convidado sentado.
Quem já resolveu o básico não compra produto. Compra critério, tempo e discrição.
08 — family offices, sucessão e legado

Quanto maior o patrimônio, mais a família precisa funcionar como instituição

Os portfólios das grandes fortunas estão amadurecendo mais rápido do que a governança que os sustenta?

O UBS Global Family Office Report 2026 ouviu 307 family offices em mais de 30 mercados, com patrimônio líquido médio das famílias de US$ 2,7 bilhões. 60% pretendiam alterar a alocação estratégica nos doze meses seguintes. A pesquisa mostra uma estrutura cada vez mais institucional, com comitês, medição de performance, diversificação global e maior atenção a riscos não financeiros.

Ao mesmo tempo, existe uma lacuna relevante de governança: apenas 35% dos respondentes tinham plano de sucessão definido e 27% possuíam processo formal de preparação da próxima geração.

plano de sucessão definido
35%
preparação formal da próxima geração
27%
mudará alocação estratégica
60%
investe na cadeia de IA
65%
Indicadores selecionados do UBS Global Family Office Report 2026. Fonte: UBS, 2026. Pesquisa com 307 family offices.
implicação

Portfólios podem ser sofisticados antes que a arquitetura familiar esteja igualmente madura. O World Wealth Report 2025 da Capgemini estimou que US$ 83,5 trilhões poderiam ser transferidos para gerações mais jovens até 2048. Mesmo tratando projeções de longo prazo como cenários, o vetor é incontestável: uma parte extraordinária da riqueza criada no pós-guerra e nas décadas de expansão empresarial está mudando de geração. Para o Brasil e o Paraná, isso tem consequências específicas — muitas fortunas têm origem em empresas familiares, propriedades rurais, participações industriais e imóveis. A transferência, portanto, não é simplesmente herdar dinheiro; é herdar controle, responsabilidade, identidade familiar, exposição pública e decisões sobre ativos pouco líquidos.

A próxima geração de grandes famílias precisa desenvolver três repertórios: competência patrimonial (investimentos, risco, impostos e governança), competência empresarial (estratégia, conselho, capital allocation e leitura de negócios) e competência de identidade, menos discutida — como ocupar o sobrenome sem ser reduzido a ele. Entre as práticas que ajudam: educação financeira antes de receber capital relevante, participação observadora em conselhos antes do poder de voto pleno, exposição a negócios externos à família, projetos filantrópicos ou de impacto como laboratório de governança, rituais de transmissão de história e valores, e políticas claras para carreira, distribuição, venda de participações, conflito e liquidez.

A Altrata estima que indivíduos ultra-ricos destinaram cerca de US$ 220 bilhões à filantropia em 2024, mais de um terço das doações privadas individuais globais em seu universo de análise. Para famílias empresárias, filantropia pode cumprir quatro funções simultâneas: impacto social, expressão de valores, educação de herdeiros e construção de legado. A governança é decisiva — filantropia improvisada tende a se tornar sucessão de pedidos e favores, enquanto filantropia estruturada define tese, território, critérios, orçamento, indicadores e papel dos membros da família.

Grandes fortunas raramente tomam decisões relevantes isoladamente. Ao redor da família forma-se um círculo de confiança: advogado, contador, gestor, banqueiro, CIO, conselheiro, assessor de M&A, executivo-chave, especialista tributário, consultor imobiliário, concierge e, em alguns casos, terapeuta ou mediador familiar. Entrar nesse mercado exige compreender essa arquitetura — o "cliente" pode ser a família, mas a legitimidade de um fornecedor frequentemente passa pelo gatekeeper. Uma estratégia premium deve cultivar reputação junto a quem protege tempo, patrimônio e privacidade do principal, sem tentar contornar essas relações.

Desenho de linha: quatro pessoas de duas gerações à mesa redonda, sob a luz de um pendente.
Quanto maior o patrimônio, mais a família precisa funcionar como instituição.
Desenho de linha: mesa longa de reunião preparada, lugares vazios, luz entrando pela janela.
A governança quase sempre chega depois do patrimônio. O intervalo entre os dois é onde as fortunas se perdem.
09 — radar de oportunidades

Dez territórios onde existe dor, desejo e capital

Onde a fricção do mercado de alta riqueza é grande o suficiente para alguém pagar por uma solução?

Wealth & capital Governança & sucessão Real estate premium Mobilidade global Health & longevity Educação & repertório Experiências & hospitality Arte, design & coleções
Wealth & capitalprivate banking, multi-family office, PE/VC
Governança & sucessãoconselhos, protocolos familiares
Real estate premiumresidencial de luxo, branded residences
Mobilidade globalresidência, cidadania, relocation
Health & longevitymedicina preventiva, clínicas coordenadas
Educação & repertórioexecutive education, curadoria cultural
Experiências & hospitalityclubes, private dining, concierge
Arte, design & coleçõesadvisory, seguros, curadoria
Impacto & filantropiafundações, donor-advised structures
Inteligência & reputaçãoresearch, gestão de risco reputacional

Radar de oportunidade líquida entre os dez territórios identificados. É leitura interpretativa própria deste estudo, não um índice publicado por terceiros.

territóriodor / desejooportunidades
Wealth & capitalPreservar, diversificar e acessar privadosPrivate banking, multi-family office, PE/VC, coinvestimento, crédito, internacionalização
Governança & sucessãoTransformar patrimônio em continuidadeConselhos, protocolos familiares, educação de herdeiros, planejamento sucessório
Real estate premiumMoradia, diversificação, legado e experiênciaResidencial de luxo, second homes, ativos de renda, branded residences, property management
Mobilidade globalReduzir risco geográfico e ampliar liberdadeResidência, cidadania, educação internacional, tax/legal coordination, relocation
Health & longevityComprar mais qualidade de vida e tempo saudávelMedicina preventiva, performance, clínicas coordenadas, hospitality de saúde
Educação & repertórioPreparar família e ampliar capital culturalExecutive education, next gen, curadoria cultural, viagens de estudo
Experiências & hospitalityTempo raro, acesso e pertencimentoClubes, private dining, viagens curadas, eventos pequenos, concierge
Arte, design & coleçõesIdentidade, prazer, patrimônio e legadoAdvisory, seguros, storage, curadoria, provenance, arquitetura
Impacto & filantropiaConverter capital em propósito e reputação durávelFundações, institutos, donor-advised structures, mensuração de impacto
Inteligência & reputaçãoDecidir melhor e ocupar espaços com segurançaResearch, cenário, comunicação de liderança, gestão de risco reputacional
o que não funciona com ultra-ricos

Confundir preço alto com luxo; excesso de exposição pública como contrapartida automática de participação; eventos grandes chamados de "exclusivos" apenas porque o ingresso é caro; vender antes de compreender a origem e a estrutura do patrimônio; tratar herdeiros como extensões dos fundadores; usar listas compradas ou prospecção invasiva; prometer acesso que não existe; atender cada ponto de contato como se o cliente estivesse começando do zero.

Desenho de linha: concierge apresentando um portfólio de couro aberto a um cliente sentado.
Onde existe fricção suficiente para alguém pagar por uma solução.
10 — no espelho dos estados e do mundo

O Paraná comparado, o Brasil em movimento

Como o Paraná se posiciona entre os estados brasileiros, e o que o resto do mundo já pratica em mobilidade patrimonial?

#UFdeclarantesbens e direitosmédia/declarante
1São Paulo13.058.035R$ 7,95 triR$ 609.076
2Rio de Janeiro3.657.486R$ 1,80 triR$ 492.194
3Minas Gerais4.131.037R$ 1,62 triR$ 391.894
4Paraná2.818.144R$ 1,56 triR$ 553.350
5Rio Grande do Sul2.863.637R$ 1,33 triR$ 464.276
6Santa Catarina2.153.309R$ 991,15 biR$ 460.292
7Distrito Federal889.007R$ 592,83 biR$ 666.848
8Goiás1.395.550R$ 545,46 biR$ 390.858
Brasil no espelho dos estados líderes em bens e direitos declarados. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024.

A leitura correta desta tabela não é "quem é mais rico", mas onde a riqueza declarada se concentra e com que intensidade por contribuinte. O Distrito Federal e São Paulo têm a maior média por declarante; o Paraná ocupa a terceira posição em média, à frente de estados com estoque agregado maior, como Rio de Janeiro e Minas Gerais — um sinal de que a base de declarantes paranaense é, em média, mais patrimonializada.

No plano internacional, o Henley Private Wealth Migration Report 2026 descreve o avanço de "portfólios soberanos": famílias que combinam residências, cidadanias, investimentos e direitos de permanência em mais de uma jurisdição, projetando 165 mil movimentos de milionários em 2026. Essa lógica ainda chega de forma limitada ao Brasil fora do eixo São Paulo–Miami–Lisboa, e representa uma leitura internacional ainda pouco replicada localmente: geografia como classe de risco patrimonial, não apenas como destino de lazer ou segunda casa.

preste atenção

Comparações entre UFs neste estudo usam sempre a mesma base e o mesmo ano (Receita Federal, GN IRPF 2025, ano-calendário 2024). Comparações internacionais (UBS, Capgemini, Altrata, Knight Frank, Henley) usam metodologias e datas de corte próprias — não devem ser somadas ou comparadas diretamente com os números do IRPF brasileiro.

Desenho de linha: figura de costas atravessando um heliponto em direção ao helicóptero, ao entardecer.
Mobilidade patrimonial é o que separa uma praça rica de uma praça relevante.
11 — leitura complementar

Aprofundamento sem quebrar o fluxo principal

  • Entrada por confiança: indicação, convite contextualizado ou conteúdo de altíssima relevância.
  • Diagnóstico antes da oferta: patrimônio alto aumenta o custo de irrelevância.
  • Curadoria: menos opções, melhor justificadas, com acesso real e capacidade de execução.
  • Privacidade por design: consentimento explícito para exposição, fotos, dados e compartilhamento.
  • Ritual de serviço: pré-evento, chegada, experiência, pós-evento e memória institucional consistentes.
  • Conexões com propósito: apresentar pessoas quando há benefício bilateral, não para exibir rede.
  • Longo prazo: monetização pode acontecer depois da construção de relevância e confiança.
  • Confundir preço alto com luxo. Preço sem excelência, acesso ou significado é apenas caro.
  • Excesso de exposição pública como contrapartida automática de participação.
  • Eventos grandes chamados de "exclusivos" apenas porque o ingresso é caro.
  • Vender antes de compreender a origem e a estrutura do patrimônio.
  • Tratar herdeiros como extensões dos fundadores, ignorando identidade e repertório próprios.
  • Usar listas compradas, dados sem base legal ou prospecção invasiva.
  • Prometer acesso que não existe ou conexões sem critério.
  • Atender cada ponto de contato como se o cliente estivesse começando do zero.

O próximo salto deste estudo não é acrescentar mais estimativas macro. É construir uma base proprietária de inteligência, com consentimento e dados públicos e empresariais, capaz de descrever o ecossistema de riqueza sem depender de listas informais.

  • Macro patrimonial: IRPF, renda, bens, exterior, dividendos, heranças, VGBL — anual, via Receita Federal.
  • Empresas: receita, setor, controle, M&A, captação, exportação — mensal/trimestral, via juntas, CVM, B3.
  • Mercado financeiro: private, fundos, wealth, ativos distribuídos — via ANBIMA, CVM, Banco Central.
  • Real estate: lançamentos, vendas, preço, luxo, second homes — via ADEMI-PR, Brain, FipeZAP.
  • Famílias empresárias: geração, governança, conselhos, sucessão, fundações — pesquisa proprietária contínua.
  • Mobilidade: residências, educação internacional, patrimônio exterior — anual, dados agregados.
  • Obter série histórica de cinco a dez anos do IRPF para Paraná e Curitiba, separando crescimento nominal de mudanças na base declaratória.
  • Abrir bens e direitos por categoria quando a tabela permitir: imóveis, participações societárias, aplicações, rural, veículos, exterior e outros.
  • Construir mapa por bairros de Curitiba usando registros imobiliários, preço transacionado e dados de lançamentos de luxo.
  • Estimar número de clientes private por UF, mediante parceria, por praça, evitando inferência individual.
  • Mapear family offices, multi-family offices, wealth managers, boutiques de M&A e escritórios jurídicos que atendem UHNW no Sul.
  • Realizar 30 a 50 entrevistas em profundidade com empresários, herdeiros, gestores e advisors sobre comportamento local.
  • Construir painel anual de liquidez: IPOs, M&A, venda de empresas, dividendos extraordinários, transações rurais e eventos sucessórios.
  • Adicionar benchmarks de cidades comparáveis: Porto Alegre, Florianópolis, Campinas, Belo Horizonte, Goiânia e Ribeirão Preto.
Desenho de linha: pilha de livros fechados ao lado de óculos e uma luminária de mesa acesa.
Repertório é parte do ativo. Sem ele, o dado vira número solto.
12 — conclusão

Vinte achados que mudam a leitura do mercado

Depois de mundo, Brasil, Paraná e Curitiba, o que este estudo de fato estabelece?

  1. O Brasil tem aproximadamente 386 mil USD millionaires segundo a UBS, o maior universo da América Latina.
  2. A Knight Frank estima 5.808 UHNWIs no Brasil em 2026, enquanto a Forbes identifica 71 bilionários brasileiros. São camadas diferentes da mesma pirâmide.
  3. A riqueza global voltou a acelerar em 2025 e o topo cresceu de forma especialmente forte.
  4. Fontes globais divergem muito na contagem de UHNWIs; metodologia importa mais do que uma casa decimal.
  5. O Paraná concentra 8,0% dos bens e direitos declarados do Brasil, acima de sua participação de 6,8% nos declarantes.
  6. O Paraná é o quarto estado em estoque total de bens e direitos declarados e o terceiro em média por declarante.
  7. Curitiba concentra 43,4% dos bens e direitos do Paraná com apenas 25,0% dos declarantes.
  8. Curitiba concentra 66,3% dos ativos no exterior declarados no Paraná.
  9. Os residentes de Curitiba declararam R$ 26,3 bi em lucros e dividendos isentos.
  10. A geografia da riqueza no Paraná é policêntrica: Londrina, Maringá e Cascavel formam uma segunda camada de escala patrimonial.
  11. O modelo deste estudo sugere algo entre 25,3 mil e 31,0 mil USD millionaires no Paraná.
  12. Para Curitiba, a faixa estratégica é de aproximadamente 6,3 mil a 13,4 mil USD millionaires.
  13. Para UHNW, a ordem de grandeza modelada é de 380 a 466 no Paraná e de 95 a 202 em Curitiba.
  14. O private brasileiro tem R$ 2,63 trilhões em ativos reportados; o proxy local sugere dezenas de bilhões de reais associados à praça de Curitiba.
  15. A maior oportunidade de wealth management está na personalização e na coordenação, não simplesmente em acrescentar produtos.
  16. Grandes fortunas trabalham com múltiplos provedores e valorizam quem reduz fragmentação.
  17. Family offices sofisticaram investimento mais rápido do que sucessão: apenas 35% têm plano definido no estudo UBS 2026.
  18. A próxima geração será um mercado decisivo, porque transferência patrimonial e mudança de valores acontecem ao mesmo tempo.
  19. Luxo contemporâneo combina distinção com experiência, tempo, identidade, autenticidade, bem-estar e discrição.
  20. Para acessar esse mercado, confiança, contexto e privacidade são infraestrutura, não "diferenciais".
síntese final

Curitiba tem massa crítica para um ecossistema sofisticado de alta riqueza. Os dados não sustentam a ideia de que o mercado local se limita a algumas famílias conhecidas. O estoque declarado, a concentração de dividendos, a internacionalização patrimonial e o peso da capital dentro do Paraná indicam uma base muito mais ampla. Ao mesmo tempo, o mercado é pequeno o suficiente para que reputação, comunidade, gatekeepers e relacionamento pessoal tenham peso enorme. O ativo estratégico não é uma lista. É uma rede de confiança informada por dados.

Desenho de linha: mão pressionando um lacre sobre um documento, cera ainda quente.
Vinte achados que mudam a leitura do mercado, cada um com fonte, ano e nível de evidência.
Desenho de linha: várias taças se encontrando em brinde acima do centro da mesa, só mãos e punhos.
O que se conclui aqui não fecha o assunto. Abre a conversa com quem decide.
13 — metodologia e fontes

Como este estudo foi construído

Este estudo combina universos estatísticos diferentes: relatórios globais de wealth intelligence modelam patrimônio líquido; a Capgemini trabalha com patrimônio investível; a UBS estima riqueza líquida incluindo ativos financeiros e não financeiros; a Receita Federal registra valores declarados para fins fiscais; a ANBIMA mede investimentos distribuídos por instituições; rankings como a Forbes observam o topo extremo e público da pirâmide. Nenhuma dessas bases, isoladamente, descreve todo o universo da riqueza. Por isso, cada conclusão relevante recebe uma classificação de evidência.

classeo que significacomo aparece no estudo
A · dado diretoNúmero publicado ou calculado diretamente a partir de base oficial ou relatório com metodologia identificadaEx.: R$ 676,6 bi de bens e direitos declarados por residentes de Curitiba
B · proxy / triangulaçãoIndicador indireto usado para aproximar riqueza, densidade patrimonial ou comportamentoEx.: participação de Curitiba nos ativos declarados do Paraná como proxy de concentração de riqueza
C · estimativa modeladaCenário construído a partir de bases distintas, com fórmula e intervalo explícitosEx.: estimativa do número de UHNWIs residentes no Paraná e em Curitiba

Limites, vieses e ética. Bens e direitos podem permanecer por anos registrados pelo custo de aquisição, não pelo preço corrente de mercado. Participações empresariais fechadas podem ter valor econômico muito superior ao valor fiscal informado. O município é o domicílio do declarante, não necessariamente a localização dos ativos ou das empresas que originaram a riqueza. Ativos em estruturas jurídicas, trusts, holdings e jurisdições externas podem ser capturados de forma parcial ou diferente conforme a obrigação declaratória. Dados de renda captam fluxos anuais, enquanto patrimônio é estoque acumulado — os dois devem ser lidos em conjunto. Listas nominativas de ricos são incompletas e podem estimular inferências indevidas; para estratégia de mercado, dados agregados e segmentação consentida são superiores a "listas de pessoas". Qualquer ativação comercial deve respeitar LGPD, finalidade, base legal, minimização e políticas de compliance.

T1 — fonte primária / institucional

Base oficial, dado aberto ou pesquisa acadêmica com metodologia pública
  • Receita Federal do Brasil — Grandes Números do IRPF 2025, ano-calendário 2024
  • ANBIMA — Investimento dos brasileiros, séries mensais
  • EU Tax Observatory — Palomo et al., Tax Progressivity and Inequality in Brazil, 2025
  • FGV Social — Mapa da Riqueza no Brasil, 2023

T2 — setorial / consultoria reconhecida

Metodologia proprietária divulgada, cobertura recorrente e reconhecida no setor
  • UBS — Global Wealth Report 2026; Global Family Office Report 2026
  • Capgemini Research Institute — World Wealth Report 2025/2026
  • Altrata — World Ultra Wealth Report 2026
  • Knight Frank — The Wealth Report 2026 / Wealth Sizing Model
  • Forbes / Forbes Brasil — World's Billionaires 2026; Lista Bilionários Brasil 2026
  • Henley & Partners — Private Wealth Migration Report 2026
  • ADEMI-PR / Brain Inteligência Estratégica — mercado imobiliário de Curitiba, 2025

T3 — leitura qualitativa / especializada

Literatura de referência, sem pretensão estatística própria
  • Lipovetsky, Gilles; Roux, Elyette — O luxo eterno
  • Lipovetsky, Gilles; Serroy, Jean — A estetização do mundo

Todos os cálculos locais foram produzidos a partir do arquivo oficial de dados abertos da Receita Federal (Grandes Números do IRPF, ano-calendário 2024) e podem ser reproduzidos. Os números foram arredondados apenas na apresentação. As estimativas de HNWI, UHNW e private não estão no arquivo da Receita e são modelos deste estudo, com fórmulas documentadas no apêndice A5. Data de corte editorial: 31 de julho de 2026. Informações publicadas depois dessa data não foram incorporadas a esta edição.

Desenho de linha: mão enluvada segurando um pequeno cartão lacrado sobre superfície polida.
Rigor é uma forma de cuidado. Cada número deste atlas tem valor, ano, fonte e classe de evidência.
14 — apêndices

Tabelas de referência, fórmulas, inventário de dados, glossário e bibliografia

Esta seção reúne, em formato de consulta, tudo o que sustenta as leituras narrativas das seções anteriores: os painéis completos por geografia, as fórmulas exatas de cada cenário, o inventário de dados possíveis para uma agenda de pesquisa 2.0, o glossário de termos técnicos e a bibliografia integral.

A1. Painel estatístico consolidado

métricaCuritibaParanáBrasil
Declarantes705.0172.818.14441.676.499
Renda tributávelR$ 58,1 biR$ 192,6 biR$ 3,09 tri
Tributação exclusivaR$ 16,5 biR$ 37,5 biR$ 633,3 bi
Isentos / não tributáveisR$ 67,0 biR$ 168,8 biR$ 2,37 tri
Lucros e dividendosR$ 26,3 biR$ 55,4 biR$ 813,2 bi
Heranças / transferênciasR$ 6,2 biR$ 16,1 biR$ 249,4 bi
Bens e direitosR$ 676,6 biR$ 1,56 triR$ 19,42 tri
Ativos no exteriorR$ 29,5 biR$ 44,5 biR$ 1,23 tri
VGBL / previdênciaR$ 18,8 biR$ 35,4 biR$ 604,5 bi
Dívidas e ônusR$ 33,8 biR$ 112,6 biR$ 1,35 tri
Valores agregados do ano-calendário 2024. Renda total deste estudo = tributável + exclusiva + isenta/não tributável. Fonte: Receita Federal.

A2. Ranking estadual completo de bens e direitos

#UFdeclarantesbens e direitosmédia/declarante
1São Paulo13.058.035R$ 7,95 triR$ 609.076
2Rio de Janeiro3.657.486R$ 1,80 triR$ 492.194
3Minas Gerais4.131.037R$ 1,62 triR$ 391.894
4Paraná2.818.144R$ 1,56 triR$ 553.350
5Rio Grande do Sul2.863.637R$ 1,33 triR$ 464.276
6Santa Catarina2.153.309R$ 991,15 biR$ 460.292
7Distrito Federal889.007R$ 592,83 biR$ 666.848
8Goiás1.395.550R$ 545,46 biR$ 390.858
9Bahia1.654.662R$ 452,87 biR$ 273.694
10Mato Grosso828.233R$ 324,65 biR$ 391.980
11Pernambuco1.104.466R$ 297,50 biR$ 269.363
12Ceará958.715R$ 290,96 biR$ 303.491
13Espírito Santo808.410R$ 281,06 biR$ 347.670
14Mato Grosso do Sul614.917R$ 261,74 biR$ 425.644
15Pará893.539R$ 177,92 biR$ 199.119
16Amazonas469.104R$ 155,48 biR$ 331.435
17Paraíba459.384R$ 106,00 biR$ 230.744
18Maranhão622.922R$ 93,25 biR$ 149.693
19Tocantins248.973R$ 90,27 biR$ 362.566
20Sergipe285.762R$ 87,73 biR$ 307.017
21Rio Grande do Norte423.525R$ 86,96 biR$ 205.321
22Rondônia294.128R$ 85,07 biR$ 289.227
23Alagoas352.772R$ 72,65 biR$ 205.939
24Piauí351.186R$ 57,57 biR$ 163.933
25Acre105.148R$ 20,74 biR$ 197.254
26Roraima92.744R$ 13,45 biR$ 145.054
27Amapá105.535R$ 8,16 biR$ 77.300
As 27 UFs por estoque de bens e direitos declarados. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024. Cálculos deste estudo.

A3. Ranking completo dos principais municípios do Paraná

#municípiodeclarantesbensmédia bensrenda total
1Curitiba705.017R$ 676,6 biR$ 959.753R$ 141,6 bi
2Londrina164.096R$ 96,5 biR$ 588.163R$ 27,4 bi
3Maringá134.783R$ 81,4 biR$ 603.718R$ 22,7 bi
4Cascavel97.684R$ 71,9 biR$ 735.691R$ 15,2 bi
5São José dos Pinhais92.746R$ 59,7 biR$ 643.770R$ 9,0 bi
6Ponta Grossa93.239R$ 45,9 biR$ 491.834R$ 11,7 bi
7Foz do Iguaçu73.965R$ 29,0 biR$ 391.860R$ 10,1 bi
8Toledo43.282R$ 21,9 biR$ 505.464R$ 6,2 bi
9Guarapuava41.499R$ 20,8 biR$ 500.820R$ 6,3 bi
10Umuarama25.157R$ 14,9 biR$ 591.093R$ 3,7 bi
11Pato Branco27.119R$ 14,7 biR$ 543.824R$ 4,5 bi
12Pinhais36.991R$ 13,5 biR$ 364.867R$ 4,6 bi
13Ibiporã11.253R$ 13,3 biR$ 1 miR$ 1,1 bi
14Campo Mourão25.400R$ 12,4 biR$ 489.620R$ 3,6 bi
15Arapongas27.304R$ 12,4 biR$ 453.023R$ 3,5 bi
16Araucária39.753R$ 10,8 biR$ 272.328R$ 4,5 bi
17Francisco Beltrão23.951R$ 9,5 biR$ 398.474R$ 3,0 bi
18Apucarana26.604R$ 9,5 biR$ 356.397R$ 3,0 bi
19Paranavaí19.342R$ 8,8 biR$ 452.692R$ 2,8 bi
20Cianorte17.050R$ 8,7 biR$ 508.006R$ 2,3 bi
Top 20 municípios do Paraná por bens e direitos declarados. Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024. Cálculos deste estudo.

A4. Municípios com maior média patrimonial (bases com pelo menos mil declarantes)

#municípiodeclarantesbens por declarantebens totais
1Douradina2.033R$ 1 miR$ 2,6 bi
2Ibiporã11.253R$ 1 miR$ 13,3 bi
3Curitiba705.017R$ 959.753R$ 676,6 bi
4Quatro Barras6.254R$ 941.700R$ 5,9 bi
5Cascavel97.684R$ 735.691R$ 71,9 bi
6Cidade Gaúcha2.364R$ 693.336R$ 1,6 bi
7Sertanópolis3.639R$ 665.543R$ 2,4 bi
8São José dos Pinhais92.746R$ 643.770R$ 59,7 bi
9Mamborê2.704R$ 629.484R$ 1,7 bi
10Entre Rios do Oeste1.217R$ 617.877R$ 752,0 mi
11Maringá134.783R$ 603.718R$ 81,4 bi
12Umuarama25.157R$ 591.093R$ 14,9 bi
13Londrina164.096R$ 588.163R$ 96,5 bi
14Japurá1.659R$ 568.679R$ 943,4 mi
15Maripá1.544R$ 568.641R$ 878,0 mi
16Primeiro de Maio1.993R$ 559.746R$ 1,1 bi
17Palmas7.738R$ 556.426R$ 4,3 bi
18São Jorge do Ivaí1.222R$ 552.644R$ 675,3 mi
19Bela Vista do Paraíso2.699R$ 549.361R$ 1,5 bi
20Tupãssi1.551R$ 546.837R$ 848,1 mi
Médias elevadas em municípios pequenos podem refletir poucos grandes patrimônios, forte presença rural/agroindustrial e efeitos de valores fiscais. A tabela é um indicador de densidade, não ranking de "cidades mais ricas". Fonte: Receita Federal, GN IRPF 2025 AC2024.

A5. Fórmulas dos cenários

objetocenário conservadorcenário basecenário superior
HNWI Paraná386 mil × share PR rendaPonto central entre proxies386 mil × share PR bens
HNWI CuritibaBrasil × share PR renda × share CWB declarantesBrasil × share PR bens × share CWB rendaBrasil × share PR bens × share CWB bens
UHNW Paraná5.808 × share PR rendaMédia dos três proxies estaduais5.808 × share PR bens
UHNW CuritibaPR conservador × share CWB declarantesPR médio × share CWB rendaPR superior × share CWB bens
Private ParanáR$ 2,63 tri × share PR rendaMédia renda/bensR$ 2,63 tri × share PR bens
Private CuritibaPR conservador × share CWB declarantesPR médio × share CWB rendaPR superior × share CWB bens
Esses modelos pressupõem alguma correlação entre renda/bens declarados e presença de grandes patrimônios. A correlação é plausível, mas não perfeita — por isso o intervalo é parte do resultado, não um inconveniente a ser escondido.

A6. Inventário completo: o que é possível obter

domíniodados possíveisfontesacessofrequência
Patrimônio globalHNWI/UHNW por país, região, cidade selecionada, wealth totalsUBS, Altrata, Knight Frank, CapgeminiParte pública + relatórios pagosAnual
BilionáriosContagem, nomes, patrimônio estimado, setor, paísForbes, BloombergPúblico / comercialContínuo/anual
IRPF BrasilRenda, bens, exterior, dividendos, herança, VGBL, dívida por UF/municípioReceita FederalPúblico agregadoAnual
Investimentos PFEstoque por varejo, alta renda, private e classe de ativosANBIMAPúblico agregadoMensal/anual
Fundos/gestoresPatrimônio de fundos, FIPs, family offices registrados, gestoresCVM, ANBIMAPúblicoDiário/mensal
Empresas abertasAcionistas relevantes, remuneração, dividendos, M&A, fatos relevantesCVM, B3PúblicoContínuo
Empresas fechadasSócios, capital, setor, filiais, alterações societáriasJuntas, Receita/CNPJ, bases comerciaisPúblico parcial / pagoContínuo
Comércio exteriorExportações/importações por empresa/setor/municípioComex Stat e bases privadasPúblico agregadoMensal
AgroProdução, valor, propriedades/área agregada, crédito, cadeiasIBGE, MAPA, CNA, Deral, IncraPúblico agregadoAnual
ImóveisPreço anunciado/transacionado, lançamentos, vendas, estoque, luxoADEMI, Brain, FipeZAP, registros/plataformasMistoMensal/trimestral
CréditoCarteiras, juros, endividamento, financiamento imobiliárioBCB, registradoras, instituiçõesAgregadoMensal
Family officesExistência, equipe, tese, estrutura, governançaBases comerciais + pesquisa proprietáriaLimitadoContínuo
M&A / liquidezAquisições, exits, captações, vendas de empresasTTR, Mergermarket, PitchBook, imprensaPago + públicoContínuo
Private equity / VCFundos, investimentos, exits, ticketsABVCAP, PitchBook, Preqin, CVMMistoTrimestral/anual
FilantropiaInstitutos, fundações, doações, causasGIFE, Censo, websites, pesquisaPúblico parcialAnual
Educação internacionalFluxos, escolas, universidades, intercâmbio premiumUNESCO, ICEF, instituições e pesquisaMistoAnual
Aviação executivaFrota, registros de aeronaves, movimentação agregadaANAC, aeroportos, bases especializadasPúblico parcialMensal/anual
Iates / náuticaRegistros, marinas, vendas, fabricantesMarinha + mercado privadoLimitadoAnual
Arte e coleçõesLeilões, feiras, preços públicos, galeriasArtprice, Artnet, leiloeirosPago + públicoContínuo
Hospitality premiumDiárias, ocupação, restaurantes, clubes, eventosSTR, hotéis, plataformas, pesquisaPago/parcialMensal
Mobilidade globalMigração de milionários, residência/cidadania por investimentoHenley/New World Wealth, governosProprietário/agregadoAnual
Redes de relacionamentoConselhos, associações, eventos e conexões consentidasCRM e pesquisa proprietáriaProprietárioContínuo
ComportamentoPreferências, causas, prioridades, experiências, sucessãoSurvey e entrevistas proprietáriasProprietárioSemestral/anual
Mapa completo de dados possíveis para uma agenda de pesquisa 2.0. Base para a seção 11, aba "sistema de inteligência PR/CWB".

A7. Glossário

termodefinição
AUMAssets under management. Ativos sob gestão.
AffluentTermo comercial para cliente afluente. Não possui corte universal.
Family officeEstrutura dedicada à gestão integrada dos assuntos financeiros e não financeiros de uma família de grande patrimônio.
HNWIHigh-net-worth individual. Neste estudo, o corte depende da fonte e deve ser sempre acompanhado da metodologia.
Investable assetsAtivos financeiros/investíveis disponíveis para gestão, normalmente excluindo residência principal e bens de uso.
Net worthPatrimônio líquido: ativos menos passivos. A composição varia segundo a fonte.
Private bankingSegmento bancário/wealth voltado a clientes de alto patrimônio. Para a ANBIMA, private considera clientes com mais de R$ 5 milhões investidos.
UHNW / UHNWIUltra-high-net-worth individual. Usualmente patrimônio acima de US$ 30 milhões.
VHNWVery-high-net-worth. A Altrata utiliza a faixa de US$ 5 milhões a US$ 30 milhões.
Wealth intelligenceMercado de dados, pesquisa e inteligência sobre criação, distribuição e comportamento da riqueza.
Next genGeração seguinte em famílias empresárias ou patrimoniais, potencial herdeira de ativos e responsabilidades.
Great wealth transferExpressão usada para a transferência intergeracional de grandes volumes de patrimônio nas próximas décadas.
TAMTotal addressable market. Mercado total endereçável.
ProxyIndicador indireto utilizado para aproximar uma variável que não é observável diretamente.

A8. Bibliografia completa

Receita Federal do Brasil. Grandes Números do IRPF 2025 — ano-calendário 2024. Tabelas e metadados. Atualizado em 30/03/2026.
UBS. Global Wealth Report 2026.
UBS. Global Family Office Report 2026.
Altrata. World Ultra Wealth Report 2026 / The Ultra Wealthy: Scale, Growth, and Global Influence.
Capgemini Research Institute. World Wealth Report 2025 e 2026.
Knight Frank. The Wealth Report 2026 / Wealth Sizing Model 2026.
Forbes. World's Billionaires 2026.
Forbes Brasil. Lista Bilionários Forbes 2026: Recordes na Participação e no Patrimônio dos Brasileiros.
ANBIMA. Investimento dos brasileiros cresce 15,5% e atinge a marca de R$ 8,5 trilhões em 2025. 24/02/2026.
Henley & Partners. Private Wealth Migration Report 2026.
FGV Social. Mapa da Riqueza no Brasil. 2023.
EU Tax Observatory. Palomo et al. Tax Progressivity and Inequality in Brazil: Evidence from Integrated Administrative Data. 2025.
ADEMI-PR. Mercado imobiliário de Curitiba mantém valorização com queda no estoque e perspectivas para novos lançamentos. 2025.
Lipovetsky, Gilles; Roux, Elyette. O luxo eterno: da idade do sagrado ao tempo das marcas.
Lipovetsky, Gilles; Serroy, Jean. A estetização do mundo: viver na era do capitalismo artista.

A9. Notas sobre atualização e reprodutibilidade

Todos os cálculos locais foram produzidos a partir do arquivo oficial GN_IRPF_AC2024.xlsx disponibilizado pela Receita Federal e podem ser reproduzidos. Os números foram arredondados apenas na apresentação. As estimativas de HNWI/UHNW/private não estão no arquivo da Receita e são modelos deste estudo, documentados no apêndice A5.

Uma segunda edição pode ganhar precisão com dados que hoje estão dispersos, são comerciais ou exigem pesquisa primária — ver a agenda de pesquisa 2.0 na seção 11. Esta versão deve atualizar automaticamente quatro âncoras quando novas edições forem publicadas: UBS Global Wealth Report, Knight Frank Wealth Sizing Model, ANBIMA distribuição PF e Grandes Números do IRPF. Como os relatórios internacionais revisam metodologia, séries históricas precisam ser recompostas com cautela.

Data de corte editorial: 31 de julho de 2026. Informações publicadas depois dessa data não foram incorporadas a esta edição.

Desenho de linha: mão retirando um volume encadernado de uma estante de arquivo, feixe de luz na diagonal.
Tudo o que sustenta as leituras das seções anteriores, em formato de consulta.
Desenho de linha: duas mãos segurando as pontas de um mapa desenrolado, lupa apoiada sobre ele.
Um atlas se lê de perto. É no detalhe que a média deixa de explicar.

um mapa de dados
para decidir com critério.
com a fonte, o ano e a evidência
de cada número à vista.

o que fica

Este atlas reúne, em um único documento, a escala mundial, a concentração brasileira e a geografia patrimonial de Curitiba e do Paraná. Nenhum número entra sem valor, ano, fonte e classe de evidência, e as estimativas aparecem como estimativas, com as premissas ditas em voz alta.

A conclusão que atravessa as quatorze seções é geográfica: a riqueza brasileira é mais concentrada do que as médias sugerem, e a concentração tem endereço. Dois terços dos ativos que o Paraná declara no exterior pertencem a residentes de uma única cidade.

sobre este estudo

Pesquisa da frente OFÍCIO — amano, publicada em agosto de 2026. Quatorze seções, quatro geografias, três cenários e apêndices completos de consulta. Estudo de inteligência de mercado: não constitui aconselhamento financeiro, fiscal, jurídico ou de investimentos.

ver todos os reports

feito à mão. feito com tempo. feito de verdade.

Desenho de linha: mesa longa de jantar em terraço ao entardecer, velas acesas, poucos convidados ao fundo.
Um atlas não fecha o assunto. Ele organiza o terreno para a conversa que vem depois.
Adriano Tadeu Barbosa e Marcus Yabe
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