Dois terços dos ativos que o Paraná declara no exterior pertencem a quem mora em Curitiba, uma cidade que reúne um quarto dos declarantes do estado.
Receita Federal, Grandes Números do IRPF 2025, ano-calendário 2024 · classe A, dado direto
A mesma pessoa pode entrar em uma base de dados e ficar fora de outra. Qual é o critério?
O mercado de wealth management organiza produtos, atendimento e inteligência por faixas patrimoniais. O problema é que a fronteira de US$ 1 milhão pode significar patrimônio líquido total ou apenas ativos investíveis, e isso altera dramaticamente o tamanho do universo medido.
| faixa | referência operacional | observação |
|---|---|---|
| Affluent / alta renda | Sem padrão global único | Útil comercialmente, pouco comparável entre fontes |
| Private ANBIMA | Mais de R$ 5 milhões investidos | Mede ativos distribuídos, não patrimônio líquido total |
| HNWI — Capgemini | US$ 1 mi ou mais em ativos investíveis | Exclui residência principal, colecionáveis e bens duráveis |
| USD millionaire — UBS | Patrimônio líquido acima de US$ 1 mi | Inclui ativos financeiros e não financeiros, descontadas dívidas |
| VHNW — Altrata | US$ 5 mi a US$ 30 mi | Faixa intermediária antes do UHNW |
| UHNW / UHNWI | Mais de US$ 30 mi | Usada por Altrata, Knight Frank e Capgemini, com modelos diferentes |
| Bilionário | US$ 1 bi ou mais | Forbes usa preços de ativos e câmbio em data de corte específica |
Renda não é patrimônio. Patrimônio declarado não é valor de mercado. Os dados da Receita são extraordinariamente úteis para geografia patrimonial, mas "bens e direitos" seguem regras fiscais e, em muitos casos, valores históricos de aquisição. Residência fiscal do declarante também não equivale à localização física dos ativos. Este estudo usa essas medidas como indicadores de escala e concentração, nunca como avaliação patrimonial a mercado.
Três fontes podem usar o mesmo rótulo UHNW e produzir universos muito diferentes. Em 2025, a Capgemini estimou cerca de 250 mil UHNWIs globais. A Altrata estimou 556.850. Para 2026, o modelo da Knight Frank aponta 713.626. A divergência não é erro aritmético: reflete escopo, dados de entrada, tratamento de ativos privados, cobertura geográfica e modelo estatístico.
Este estudo usa uma âncora por universo, sempre nomeada: UBS para "USD millionaires" no Brasil, Knight Frank para UHNW no Brasil, ANBIMA para ativos financeiros distribuídos e Receita Federal para a geografia local. Classificamos cada conclusão relevante em três classes de evidência: A — dado direto (número publicado ou calculado a partir de base oficial), B — proxy / triangulação (indicador indireto usado para aproximar riqueza) e C — estimativa modelada (cenário construído a partir de bases distintas, com fórmula e intervalo explícitos). Nunca apresentamos estimativa como censo.
A riqueza global voltou a acelerar. Mas ela cresce mais rápido em qual camada?
A UBS estima que a riqueza pessoal global cresceu 10,8% em dólares em 2025, o maior ritmo desde 2017, com expansão de 17,5% na região EMEA, 8,5% nas Américas e 5,9% na Ásia-Pacífico. O próprio relatório alerta que o câmbio amplificou parte do crescimento fora dos Estados Unidos. A mensagem estrutural importa mais que o número anual: ativos financeiros e não financeiros voltaram a crescer ao mesmo tempo, enquanto a mediana de riqueza caiu em muitos mercados. "O mundo ficou mais rico" e "a pessoa mediana ficou mais rica" são afirmações diferentes.
A Capgemini, usando ativos investíveis, estima 25,3 milhões de HNWIs ao fim de 2025, crescimento de 7,9%, com riqueza combinada de US$ 98,3 trilhões, alta de 8,7%. Dentro desse modelo, o 1% mais rico dos HNWIs concentra 34,8% da riqueza HNWI. A Altrata estima 50,9 milhões de HNWIs, dos quais 556.850 eram UHNWIs: apenas 1,1% do universo, concentrando US$ 63,8 trilhões, equivalentes a 32% da riqueza medida.
O topo da riqueza não é apenas maior; ele cresce mais rápido. Para empresas premium, serviços financeiros, real estate e ecossistemas de relacionamento, a expansão relevante não ocorre somente na "classe milionária" ampla. O UHNW ganha peso desproporcional porque reúne capacidade de investimento, consumo discricionário, mobilidade e influência econômica.
A Forbes registrou 3.428 bilionários na lista mundial de 2026, 400 a mais do que em 2025, com patrimônio conjunto de US$ 20,1 trilhões. É o maior número da história da publicação, com data de corte de preços e câmbio em 1º de março de 2026.
Bilionários são um símbolo do extremo superior, mas não devem ser tratados como sinônimo de mercado de luxo ou de riqueza. A maior parte do mercado endereçável para private banking, experiências premium, imóveis de alta gama e serviços sofisticados está dezenas de milhares abaixo desse topo, e é muito menos pública.
A mobilidade da riqueza deixou de ser apenas mudança definitiva de residência. O Henley Private Wealth Migration Report 2026 descreve o avanço de "portfólios soberanos", nos quais famílias combinam residências, cidadanias, investimentos, empresas e direitos de permanência em mais de uma jurisdição. O relatório projetava 165 mil movimentos de milionários em 2026, após 142 mil em 2025. Nos primeiros cinco meses de 2026, 28% dos clientes que buscaram programas de mobilidade junto à Henley já viviam fora de seu país de nacionalidade. Para grandes fortunas, geografia passou a ser uma classe de risco: tributação, segurança jurídica, educação, saúde, acesso a mercados e resiliência geopolítica entram na arquitetura patrimonial.
O conceito contemporâneo de riqueza combina cinco dimensões: capital financeiro, capital empresarial, capital imobiliário, capital relacional e capital de liberdade. A última dimensão ganhou relevância com a internacionalização: tempo, mobilidade, acesso, privacidade e capacidade de escolher onde viver e investir tornam-se parte do valor percebido. Isso explica por que mercados aparentemente distantes convergem ao redor do UHNW: private banking, private equity, aviação, hotéis, educação internacional, wellness, arte, arquitetura, segurança, gastronomia, concierge, cidadania e filantropia competem pelo mesmo recurso escasso, que é atenção e confiança.
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Quanta riqueza o Brasil concentra, e por que as pesquisas domiciliares tradicionais captam mal o seu topo?
O Global Wealth Report 2026 da UBS estima aproximadamente 386 mil USD millionaires no Brasil em 2025, a maior concentração da América Latina. A UBS mede patrimônio líquido, combinando ativos financeiros e não financeiros e descontando dívidas — definição diferente da Capgemini, que utiliza ativos investíveis. Esse número é a principal âncora deste estudo para modelar, de forma indicativa, a distribuição potencial de milionários no Paraná e em Curitiba: não é um cadastro individual e não pode ser municipalizado diretamente sem hipóteses explícitas.
No modelo de dimensionamento da Knight Frank, o Brasil aparece com 5.808 UHNWIs em 2026, definidos como pessoas com patrimônio líquido superior a US$ 30 milhões, com projeção de 6.505 até 2031. A vantagem da referência Knight Frank é permitir um "top-down" consistente para dimensionar ordem de grandeza regional; a desvantagem é a ausência de abertura pública por estado ou município.
O topo visível é menor e mais concentrado: a Forbes Brasil contabilizou 71 brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 bilhão na lista de 2026, com fortuna conjunta de US$ 291,9 bilhões. Na edição anterior, a lista registrava 55 nomes e US$ 210,2 bilhões — um avanço que reflete valorização patrimonial, novos integrantes e dinâmica de empresas e mercados. Os setores incluem finanças, indústria, varejo, tecnologia e agronegócio; a leitura mais útil não é "quem são", mas como a riqueza brasileira permanece fortemente ligada à propriedade empresarial, o que afeta liquidez, sucessão, governança e forma de acesso ao mercado premium.
O estudo "Tax Progressivity and Inequality in Brazil" (Palomo et al., EU Tax Observatory, 2025), com microdados administrativos integrados, estima que o 1% mais rico recebeu 27,4% da renda nacional antes de impostos em 2019, o 0,1% (cerca de 150 mil pessoas) concentrou 12,4% e o 0,01% (cerca de 15 mil pessoas) concentrou 6,1%. A FGV Social chegou a conclusão metodológica semelhante ao combinar PNAD e IRPF: o Gini de 2020 sobe de 0,6013 na PNAD para 0,7068 quando a renda do topo é melhor incorporada. O topo da distribuição é pequeno demais para ser bem capturado por amostras domiciliares — IRPF, registros administrativos e dados de wealth intelligence são indispensáveis para enxergar sua real magnitude.
A ANBIMA informa que os investimentos de pessoas físicas distribuídos pelas instituições participantes somaram R$ 8,5 trilhões ao fim de 2025, alta de 15,5% em doze meses. A alta renda liderou o crescimento, com 21,2%, alcançando R$ 3,13 trilhões; o varejo tradicional chegou a R$ 2,82 trilhões; e o segmento private, definido como clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, encerrou o ano com R$ 2,63 trilhões, alta de 14,9%. A própria ANBIMA ressalta que uma parcela relevante do patrimônio de clientes private é alocada no exterior e não aparece nessas estatísticas — portanto, R$ 2,63 trilhões devem ser lidos como ativos no universo reportado, não como patrimônio financeiro total dos clientes private brasileiros.
O World Wealth Report 2026 da Capgemini revela um paradoxo que também descreve o Brasil: a riqueza cresce, mas apenas 17% dos HNWIs descrevem sua experiência de assessoria como fluida e personalizada. 42% precisam repetir objetivos e preferências para a mesma instituição. Entre 2019 e 2025, a parcela que mantém relacionamento exclusivo com uma única gestora caiu de 39% para 19%; 88% já trabalham com múltiplas empresas para acessar melhores oportunidades em investimentos alternativos. Entre 2022 e 2025, a Capgemini estima que US$ 1,5 trilhão em novos ativos sob assessoria foram capturados por concorrentes, wealthtechs e independentes, e não pelas gestoras tradicionais.
O déficit não é de produto. É de contexto e orquestração. Quanto maior o patrimônio, menos valor existe em ser apenas mais um fornecedor. O diferencial tende a migrar para visão integrada do cliente, acesso, inteligência, especialistas coordenados, conveniência e confiança institucional.
O Paraná pesa mais em riqueza declarada do que em número de declarantes?
O Paraná reúne 2.818.144 declarantes na base analisada, equivalentes a 6,8% dos declarantes brasileiros. Esses contribuintes informaram R$ 1,56 trilhão em bens e direitos, 8,0% do total nacional, e R$ 398,8 bilhões de renda total declarada, 6,5% do país. O estado concentra uma parcela maior do estoque de bens e direitos (8,0%) do que de declarantes (6,8%) — um primeiro sinal de intensidade patrimonial. O Paraná também informou R$ 44,5 bilhões em ativos no exterior e R$ 55,4 bilhões em lucros e dividendos isentos.
Quando os estados são ordenados pelo estoque agregado de bens e direitos, o Paraná aparece na quarta posição, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e à frente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
| # | UF | bens e direitos | participação Brasil |
|---|---|---|---|
| 1 | São Paulo | R$ 7,95 tri | 40,9% |
| 2 | Rio de Janeiro | R$ 1,80 tri | 9,3% |
| 3 | Minas Gerais | R$ 1,62 tri | 8,3% |
| 4 | Paraná | R$ 1,56 tri | 8,0% |
| 5 | Rio Grande do Sul | R$ 1,33 tri | 6,8% |
| 6 | Santa Catarina | R$ 991,15 bi | 5,1% |
| 7 | Distrito Federal | R$ 592,83 bi | 3,1% |
| 8 | Goiás | R$ 545,46 bi | 2,8% |
Na média simples entre declarantes, o Paraná registra R$ 553.350 em bens e direitos por contribuinte — a terceira posição entre as UFs, atrás do Distrito Federal e de São Paulo. A média não descreve distribuição interna e é puxada pelo topo, mas reforça a densidade patrimonial estadual.
Curitiba domina o estoque patrimonial agregado, mas o Paraná tem uma rede relevante de polos secundários, especialmente Londrina, Maringá, Cascavel e municípios ligados à indústria, serviços e agronegócio. Esse padrão importa para qualquer estratégia de relacionamento: o mercado de grandes fortunas não se resume à capital.
| município | declarantes | bens e direitos | média por declarante | renda total |
|---|---|---|---|---|
| Curitiba | 705.017 | R$ 676,6 bi | R$ 959.753 | R$ 141,6 bi |
| Londrina | 164.096 | R$ 96,5 bi | R$ 588.163 | R$ 27,4 bi |
| Maringá | 134.783 | R$ 81,4 bi | R$ 603.718 | R$ 22,7 bi |
| Cascavel | 97.684 | R$ 71,9 bi | R$ 735.691 | R$ 15,2 bi |
| São José dos Pinhais | 92.746 | R$ 59,7 bi | R$ 643.770 | R$ 9,0 bi |
| Ponta Grossa | 93.239 | R$ 45,9 bi | R$ 491.834 | R$ 11,7 bi |
| Foz do Iguaçu | 73.965 | R$ 29,0 bi | R$ 391.860 | R$ 10,1 bi |
| Toledo | 43.282 | R$ 21,9 bi | R$ 505.464 | R$ 6,2 bi |
| Guarapuava | 41.499 | R$ 20,8 bi | R$ 500.820 | R$ 6,3 bi |
| Umuarama | 25.157 | R$ 14,9 bi | R$ 591.093 | R$ 3,7 bi |
A tabela de faixas da Receita permite observar declarantes paranaenses em patamares elevados de renda anual: 20.926 declarantes acima de 80 salários mínimos anuais, 7.800 acima de 160 e 3.071 acima de 320. Usando o salário mínimo mensal de 2024 (R$ 1.412) apenas para dar intuição de escala, essas faixas equivalem aproximadamente a renda anual acima de R$ 1,36 milhão, R$ 2,71 milhões e R$ 5,42 milhões — uma medida de renda corrente, não de patrimônio.
Tamanho e densidade são coisas diferentes. Curitiba é o maior mercado absoluto. Londrina, Maringá e Cascavel combinam escala e patrimônio. Municípios menores podem ter densidade muito alta, mas menor volume de potenciais clientes. Quatro mapas devem coexistir para o Paraná: o mapa absoluto (liderado por Curitiba), o mapa de riqueza empresarial (polos agroindustriais e cidades médias), o mapa de patrimônio médio (onde municípios pequenos aparecem fortes por poucos grandes patrimônios) e o mapa relacional (famílias, herdeiros, conselhos e ecossistemas locais).
O quanto Curitiba concentra dentro do próprio Paraná?
Curitiba reúne 705.017 declarantes na base do IRPF analisada. Eles informaram R$ 676,6 bilhões em bens e direitos, R$ 141,6 bilhões em renda total declarada, R$ 26,3 bilhões em lucros e dividendos isentos, R$ 29,5 bilhões em ativos no exterior e R$ 18,8 bilhões em previdência complementar / VGBL. A média de bens e direitos por declarante é de aproximadamente R$ 959.753 — fortemente influenciada pela cauda superior, e não representativa do residente médio da cidade.
| indicador | Curitiba | Paraná | Curitiba / PR |
|---|---|---|---|
| Declarantes | 705.017 | 2.818.144 | 25,0% |
| Renda total declarada | R$ 141,6 bi | R$ 398,8 bi | 35,5% |
| Bens e direitos | R$ 676,6 bi | R$ 1,56 tri | 43,4% |
| Lucros e dividendos | R$ 26,3 bi | R$ 55,4 bi | 47,4% |
| Ativos no exterior | R$ 29,5 bi | R$ 44,5 bi | 66,3% |
| Previdência / VGBL | R$ 18,8 bi | R$ 35,4 bi | 53,2% |
Índice de intensidade patrimonial de Curitiba. Dividindo a participação de Curitiba nos bens e direitos (43,4%) pela participação nos declarantes (25,0%), obtém-se um índice de 1,73x. Em ativos no exterior, a intensidade chega a aproximadamente 2,65x. É uma forma simples de mostrar que a capital concentra capital em proporção muito superior ao número de contribuintes.
Mais importante que a proporção interna de Curitiba (4,4% do próprio estoque de bens em ativos no exterior, contra 2,9% no Paraná) é a concentração estadual: dois terços dos ativos no exterior declarados por contribuintes do Paraná estão associados a domicílios em Curitiba. É um forte indicador de internacionalização patrimonial, ainda que não revele tipo de ativo, jurisdição, liquidez ou estrutura de titularidade.
Lucros e dividendos isentos somaram R$ 26,3 bilhões entre os declarantes de Curitiba, cerca de 18,6% da renda total declarada estimada. Rendimentos isentos e não tributáveis, de forma mais ampla, representam 47,3%. O padrão é compatível com uma cidade na qual proprietários de empresas, profissionais organizados via pessoa jurídica, investidores e famílias com patrimônio relevante têm peso desproporcional.
O estoque de bens e direitos de Curitiba equivale a aproximadamente 4,8 vezes a renda total anual declarada. Dívidas e ônus informados equivalem a cerca de 5,0% do estoque bruto de bens e direitos — no Paraná, a relação entre dívidas e bens é de 7,2%. Essas relações não constituem balanço patrimonial consolidado; funcionam como sinais agregados de patrimonialização e estrutura de renda.
O mercado imobiliário é uma das expressões visíveis da riqueza urbana, mas não mede diretamente número de ultra-ricos. Em Curitiba, a ADEMI-PR informou que o mercado vertical encerrou o segundo trimestre de 2025 com estoque 12% menor em doze meses, preço médio do metro quadrado privativo 15,4% maior e vendas de apartamentos 5% superiores. No primeiro semestre de 2025, os lançamentos recuaram 47%, favorecendo a absorção do estoque. No segmento de luxo, levantamento da Brain apontou que a participação de novos empreendimentos classificados como luxo teria passado de 6,6% em 2020 para 12,5% em 2025.
Não existe contagem pública de USD millionaires por estado ou município no Brasil. Como estimar com responsabilidade?
Para construir uma faixa estratégica, partimos dos 386 mil USD millionaires estimados pela UBS para o Brasil e aplicamos três proxies da Receita Federal: participação do Paraná na renda total declarada, na quantidade de declarantes e nos bens e direitos.
A faixa resultante é de aproximadamente 25,3 mil a 31,0 mil USD millionaires no Paraná. Como número de planejamento, um ponto central próximo de 28 mil é defensável, sempre rotulado como estimativa, nunca como contagem oficial.
Para Curitiba, o modelo combina a faixa estadual com três participações municipais: declarantes, renda total e bens e direitos.
Curitiba: aproximadamente 6,3 mil a 13,4 mil USD millionaires. Para planejamento comercial e institucional, o cenário central de 10 mil a 11 mil pessoas é uma âncora razoável. A amplitude do intervalo é intencional e representa incerteza metodológica, diferença entre riqueza líquida e valores fiscais declarados, e concentração desigual da riqueza dentro da cidade.
Usando os 5.808 UHNWIs do Brasil estimados pela Knight Frank em 2026 e repetindo os proxies estaduais, o Paraná ficaria em uma faixa de aproximadamente 380 a 466 UHNWIs. Para Curitiba, a faixa modelada fica em torno de 95 a 202 pessoas — número central próximo de 150. Esse resultado deve ser interpretado como ordem de grandeza, não como lista ou censo: um erro de 50% ainda deixaria o mercado no mesmo patamar estratégico, poucas centenas de indivíduos ou famílias com capacidade patrimonial excepcional e uma rede de influência muito maior que o seu número.
A ANBIMA reporta R$ 2,63 trilhões no segmento private brasileiro. Não há, na mesma publicação, abertura municipal pública que permita identificar Curitiba diretamente. Aplicando participação estadual na renda e nos bens declarados, o Paraná teria uma ordem de grandeza entre R$ 172 bilhões e R$ 211 bilhões de ativos private. Para Curitiba, cenários combinados resultam aproximadamente entre R$ 43 bilhões e R$ 92 bilhões.
Trate como TAM indicativo. Este modelo é adequado para responder "qual pode ser a escala?" e inadequado para afirmar "quanto dinheiro private existe em Curitiba". A validação ideal exige dados regionais de instituições financeiras, ANBIMA em nível de domicílio mais granular ou pesquisa proprietária com family offices e plataformas de wealth management.
O que muda no comportamento de quem já resolveu o básico?
Em "o luxo eterno", Gilles Lipovetsky e Elyette Roux descrevem uma passagem estrutural do luxo puramente demonstrativo para um luxo cada vez mais emocional, individualizado e experiencial. Isso não elimina sinais de status. O que muda é a ampliação da gramática: bem-estar, prazer, autenticidade, memória, qualidade do tempo e realização pessoal ganham espaço ao lado da distinção social. Para o mercado de grandes fortunas, essa tese ajuda a explicar por que experiências altamente curadas podem valer mais do que benefícios volumosos.
Em "a estetização do mundo", Lipovetsky e Jean Serroy analisam como o capitalismo passou a incorporar design, sensibilidade, experiência e narrativa como dimensões centrais de valor. Para o mercado premium, isso significa que excelência funcional é apenas requisito de entrada; a percepção final é construída pela totalidade — arquitetura, materialidade, linguagem, serviço, ritual, ritmo e curadoria. Essa lógica é particularmente forte entre clientes que já conseguem comprar qualidade técnica: quando o dinheiro resolve o básico, o valor desloca-se para o raro, o singular e o bem composto.
Na alta riqueza, bens materiais continuam importantes, mas quatro ativos não escaláveis ganham centralidade: tempo (reduzir fricção vale dinheiro: concierge real, logística antecipada, decisões resolvidas antes de virarem problema); silêncio (ambientes sem excesso de estímulo e sem exposição indesejada); acesso (pessoas, informações e experiências que não são distribuídas massivamente); e privacidade (poder participar sem transformar a participação em espetáculo, com consentimento explícito para fotos e dados protegidos).
Os dados da Capgemini tornam mensurável um problema que o luxo conhece há décadas: personalização de verdade exige memória institucional. Se 42% dos HNWIs precisam repetir seus objetivos e preferências para a mesma empresa, o cliente percebe fragmentação mesmo quando o atendimento é cordial. Personalização de verdade significa saber o que não oferecer, entender contexto familiar e profissional, coordenar especialistas e respeitar preferências sem transformar informação em invasão.
A ideia de "portfólio" ajuda a entender o consumidor de alta riqueza: ele distribui orçamento e atenção entre patrimônio, viagens, gastronomia, arte, wellness, educação, filantropia e relações. O objetivo nem sempre é acumular mais, mas aumentar a qualidade de vida e a densidade das experiências. Isso gera oportunidade para formatos recorrentes, não apenas eventos isolados — uma agenda anual bem desenhada pode ocupar diferentes territórios de valor, com frequência suficiente para gerar pertencimento e baixa o bastante para preservar escassez.
Duas pessoas com US$ 30 milhões podem se comportar de forma completamente diferente. Uma pode ter 80% do patrimônio concentrado na empresa e baixa liquidez; outra pode ter liquidez global e vida internacional; uma terceira pode ter herdado ativos e ainda não controlar decisões familiares. Segmentação premium precisa combinar patrimônio com origem, liquidez, geração, momento de vida, geografia e papel familiar.
| dimensão | pergunta estratégica | exemplos de segmentos |
|---|---|---|
| Origem da riqueza | Como o patrimônio foi criado? | Empreendedor, herdeiro, executivo, profissional, investidor |
| Liquidez | Quanto é patrimônio disponível versus empresa/real estate? | Líquido, concentrado, pós-liquidez, pré-exit |
| Geração | Quem decide hoje e quem decidirá amanhã? | Founder, G2, G3, next gen |
| Geografia | Onde vive, investe e circula? | Local, nacional, multirresidencial, global |
| Motivação | O que busca maximizar? | Crescimento, preservação, legado, acesso, impacto, liberdade |
| Estilo relacional | Como prefere participar? | Privado, comunitário, intelectual, experiencial, filantrópico |
Os portfólios das grandes fortunas estão amadurecendo mais rápido do que a governança que os sustenta?
O UBS Global Family Office Report 2026 ouviu 307 family offices em mais de 30 mercados, com patrimônio líquido médio das famílias de US$ 2,7 bilhões. 60% pretendiam alterar a alocação estratégica nos doze meses seguintes. A pesquisa mostra uma estrutura cada vez mais institucional, com comitês, medição de performance, diversificação global e maior atenção a riscos não financeiros.
Ao mesmo tempo, existe uma lacuna relevante de governança: apenas 35% dos respondentes tinham plano de sucessão definido e 27% possuíam processo formal de preparação da próxima geração.
Portfólios podem ser sofisticados antes que a arquitetura familiar esteja igualmente madura. O World Wealth Report 2025 da Capgemini estimou que US$ 83,5 trilhões poderiam ser transferidos para gerações mais jovens até 2048. Mesmo tratando projeções de longo prazo como cenários, o vetor é incontestável: uma parte extraordinária da riqueza criada no pós-guerra e nas décadas de expansão empresarial está mudando de geração. Para o Brasil e o Paraná, isso tem consequências específicas — muitas fortunas têm origem em empresas familiares, propriedades rurais, participações industriais e imóveis. A transferência, portanto, não é simplesmente herdar dinheiro; é herdar controle, responsabilidade, identidade familiar, exposição pública e decisões sobre ativos pouco líquidos.
A próxima geração de grandes famílias precisa desenvolver três repertórios: competência patrimonial (investimentos, risco, impostos e governança), competência empresarial (estratégia, conselho, capital allocation e leitura de negócios) e competência de identidade, menos discutida — como ocupar o sobrenome sem ser reduzido a ele. Entre as práticas que ajudam: educação financeira antes de receber capital relevante, participação observadora em conselhos antes do poder de voto pleno, exposição a negócios externos à família, projetos filantrópicos ou de impacto como laboratório de governança, rituais de transmissão de história e valores, e políticas claras para carreira, distribuição, venda de participações, conflito e liquidez.
A Altrata estima que indivíduos ultra-ricos destinaram cerca de US$ 220 bilhões à filantropia em 2024, mais de um terço das doações privadas individuais globais em seu universo de análise. Para famílias empresárias, filantropia pode cumprir quatro funções simultâneas: impacto social, expressão de valores, educação de herdeiros e construção de legado. A governança é decisiva — filantropia improvisada tende a se tornar sucessão de pedidos e favores, enquanto filantropia estruturada define tese, território, critérios, orçamento, indicadores e papel dos membros da família.
Grandes fortunas raramente tomam decisões relevantes isoladamente. Ao redor da família forma-se um círculo de confiança: advogado, contador, gestor, banqueiro, CIO, conselheiro, assessor de M&A, executivo-chave, especialista tributário, consultor imobiliário, concierge e, em alguns casos, terapeuta ou mediador familiar. Entrar nesse mercado exige compreender essa arquitetura — o "cliente" pode ser a família, mas a legitimidade de um fornecedor frequentemente passa pelo gatekeeper. Uma estratégia premium deve cultivar reputação junto a quem protege tempo, patrimônio e privacidade do principal, sem tentar contornar essas relações.
Onde a fricção do mercado de alta riqueza é grande o suficiente para alguém pagar por uma solução?
Radar de oportunidade líquida entre os dez territórios identificados. É leitura interpretativa própria deste estudo, não um índice publicado por terceiros.
| território | dor / desejo | oportunidades |
|---|---|---|
| Wealth & capital | Preservar, diversificar e acessar privados | Private banking, multi-family office, PE/VC, coinvestimento, crédito, internacionalização |
| Governança & sucessão | Transformar patrimônio em continuidade | Conselhos, protocolos familiares, educação de herdeiros, planejamento sucessório |
| Real estate premium | Moradia, diversificação, legado e experiência | Residencial de luxo, second homes, ativos de renda, branded residences, property management |
| Mobilidade global | Reduzir risco geográfico e ampliar liberdade | Residência, cidadania, educação internacional, tax/legal coordination, relocation |
| Health & longevity | Comprar mais qualidade de vida e tempo saudável | Medicina preventiva, performance, clínicas coordenadas, hospitality de saúde |
| Educação & repertório | Preparar família e ampliar capital cultural | Executive education, next gen, curadoria cultural, viagens de estudo |
| Experiências & hospitality | Tempo raro, acesso e pertencimento | Clubes, private dining, viagens curadas, eventos pequenos, concierge |
| Arte, design & coleções | Identidade, prazer, patrimônio e legado | Advisory, seguros, storage, curadoria, provenance, arquitetura |
| Impacto & filantropia | Converter capital em propósito e reputação durável | Fundações, institutos, donor-advised structures, mensuração de impacto |
| Inteligência & reputação | Decidir melhor e ocupar espaços com segurança | Research, cenário, comunicação de liderança, gestão de risco reputacional |
Confundir preço alto com luxo; excesso de exposição pública como contrapartida automática de participação; eventos grandes chamados de "exclusivos" apenas porque o ingresso é caro; vender antes de compreender a origem e a estrutura do patrimônio; tratar herdeiros como extensões dos fundadores; usar listas compradas ou prospecção invasiva; prometer acesso que não existe; atender cada ponto de contato como se o cliente estivesse começando do zero.
Como o Paraná se posiciona entre os estados brasileiros, e o que o resto do mundo já pratica em mobilidade patrimonial?
| # | UF | declarantes | bens e direitos | média/declarante |
|---|---|---|---|---|
| 1 | São Paulo | 13.058.035 | R$ 7,95 tri | R$ 609.076 |
| 2 | Rio de Janeiro | 3.657.486 | R$ 1,80 tri | R$ 492.194 |
| 3 | Minas Gerais | 4.131.037 | R$ 1,62 tri | R$ 391.894 |
| 4 | Paraná | 2.818.144 | R$ 1,56 tri | R$ 553.350 |
| 5 | Rio Grande do Sul | 2.863.637 | R$ 1,33 tri | R$ 464.276 |
| 6 | Santa Catarina | 2.153.309 | R$ 991,15 bi | R$ 460.292 |
| 7 | Distrito Federal | 889.007 | R$ 592,83 bi | R$ 666.848 |
| 8 | Goiás | 1.395.550 | R$ 545,46 bi | R$ 390.858 |
A leitura correta desta tabela não é "quem é mais rico", mas onde a riqueza declarada se concentra e com que intensidade por contribuinte. O Distrito Federal e São Paulo têm a maior média por declarante; o Paraná ocupa a terceira posição em média, à frente de estados com estoque agregado maior, como Rio de Janeiro e Minas Gerais — um sinal de que a base de declarantes paranaense é, em média, mais patrimonializada.
No plano internacional, o Henley Private Wealth Migration Report 2026 descreve o avanço de "portfólios soberanos": famílias que combinam residências, cidadanias, investimentos e direitos de permanência em mais de uma jurisdição, projetando 165 mil movimentos de milionários em 2026. Essa lógica ainda chega de forma limitada ao Brasil fora do eixo São Paulo–Miami–Lisboa, e representa uma leitura internacional ainda pouco replicada localmente: geografia como classe de risco patrimonial, não apenas como destino de lazer ou segunda casa.
Comparações entre UFs neste estudo usam sempre a mesma base e o mesmo ano (Receita Federal, GN IRPF 2025, ano-calendário 2024). Comparações internacionais (UBS, Capgemini, Altrata, Knight Frank, Henley) usam metodologias e datas de corte próprias — não devem ser somadas ou comparadas diretamente com os números do IRPF brasileiro.
O próximo salto deste estudo não é acrescentar mais estimativas macro. É construir uma base proprietária de inteligência, com consentimento e dados públicos e empresariais, capaz de descrever o ecossistema de riqueza sem depender de listas informais.
Depois de mundo, Brasil, Paraná e Curitiba, o que este estudo de fato estabelece?
Curitiba tem massa crítica para um ecossistema sofisticado de alta riqueza. Os dados não sustentam a ideia de que o mercado local se limita a algumas famílias conhecidas. O estoque declarado, a concentração de dividendos, a internacionalização patrimonial e o peso da capital dentro do Paraná indicam uma base muito mais ampla. Ao mesmo tempo, o mercado é pequeno o suficiente para que reputação, comunidade, gatekeepers e relacionamento pessoal tenham peso enorme. O ativo estratégico não é uma lista. É uma rede de confiança informada por dados.
Este estudo combina universos estatísticos diferentes: relatórios globais de wealth intelligence modelam patrimônio líquido; a Capgemini trabalha com patrimônio investível; a UBS estima riqueza líquida incluindo ativos financeiros e não financeiros; a Receita Federal registra valores declarados para fins fiscais; a ANBIMA mede investimentos distribuídos por instituições; rankings como a Forbes observam o topo extremo e público da pirâmide. Nenhuma dessas bases, isoladamente, descreve todo o universo da riqueza. Por isso, cada conclusão relevante recebe uma classificação de evidência.
| classe | o que significa | como aparece no estudo |
|---|---|---|
| A · dado direto | Número publicado ou calculado diretamente a partir de base oficial ou relatório com metodologia identificada | Ex.: R$ 676,6 bi de bens e direitos declarados por residentes de Curitiba |
| B · proxy / triangulação | Indicador indireto usado para aproximar riqueza, densidade patrimonial ou comportamento | Ex.: participação de Curitiba nos ativos declarados do Paraná como proxy de concentração de riqueza |
| C · estimativa modelada | Cenário construído a partir de bases distintas, com fórmula e intervalo explícitos | Ex.: estimativa do número de UHNWIs residentes no Paraná e em Curitiba |
Limites, vieses e ética. Bens e direitos podem permanecer por anos registrados pelo custo de aquisição, não pelo preço corrente de mercado. Participações empresariais fechadas podem ter valor econômico muito superior ao valor fiscal informado. O município é o domicílio do declarante, não necessariamente a localização dos ativos ou das empresas que originaram a riqueza. Ativos em estruturas jurídicas, trusts, holdings e jurisdições externas podem ser capturados de forma parcial ou diferente conforme a obrigação declaratória. Dados de renda captam fluxos anuais, enquanto patrimônio é estoque acumulado — os dois devem ser lidos em conjunto. Listas nominativas de ricos são incompletas e podem estimular inferências indevidas; para estratégia de mercado, dados agregados e segmentação consentida são superiores a "listas de pessoas". Qualquer ativação comercial deve respeitar LGPD, finalidade, base legal, minimização e políticas de compliance.
Todos os cálculos locais foram produzidos a partir do arquivo oficial de dados abertos da Receita Federal (Grandes Números do IRPF, ano-calendário 2024) e podem ser reproduzidos. Os números foram arredondados apenas na apresentação. As estimativas de HNWI, UHNW e private não estão no arquivo da Receita e são modelos deste estudo, com fórmulas documentadas no apêndice A5. Data de corte editorial: 31 de julho de 2026. Informações publicadas depois dessa data não foram incorporadas a esta edição.
Esta seção reúne, em formato de consulta, tudo o que sustenta as leituras narrativas das seções anteriores: os painéis completos por geografia, as fórmulas exatas de cada cenário, o inventário de dados possíveis para uma agenda de pesquisa 2.0, o glossário de termos técnicos e a bibliografia integral.
| métrica | Curitiba | Paraná | Brasil |
|---|---|---|---|
| Declarantes | 705.017 | 2.818.144 | 41.676.499 |
| Renda tributável | R$ 58,1 bi | R$ 192,6 bi | R$ 3,09 tri |
| Tributação exclusiva | R$ 16,5 bi | R$ 37,5 bi | R$ 633,3 bi |
| Isentos / não tributáveis | R$ 67,0 bi | R$ 168,8 bi | R$ 2,37 tri |
| Lucros e dividendos | R$ 26,3 bi | R$ 55,4 bi | R$ 813,2 bi |
| Heranças / transferências | R$ 6,2 bi | R$ 16,1 bi | R$ 249,4 bi |
| Bens e direitos | R$ 676,6 bi | R$ 1,56 tri | R$ 19,42 tri |
| Ativos no exterior | R$ 29,5 bi | R$ 44,5 bi | R$ 1,23 tri |
| VGBL / previdência | R$ 18,8 bi | R$ 35,4 bi | R$ 604,5 bi |
| Dívidas e ônus | R$ 33,8 bi | R$ 112,6 bi | R$ 1,35 tri |
| # | UF | declarantes | bens e direitos | média/declarante |
|---|---|---|---|---|
| 1 | São Paulo | 13.058.035 | R$ 7,95 tri | R$ 609.076 |
| 2 | Rio de Janeiro | 3.657.486 | R$ 1,80 tri | R$ 492.194 |
| 3 | Minas Gerais | 4.131.037 | R$ 1,62 tri | R$ 391.894 |
| 4 | Paraná | 2.818.144 | R$ 1,56 tri | R$ 553.350 |
| 5 | Rio Grande do Sul | 2.863.637 | R$ 1,33 tri | R$ 464.276 |
| 6 | Santa Catarina | 2.153.309 | R$ 991,15 bi | R$ 460.292 |
| 7 | Distrito Federal | 889.007 | R$ 592,83 bi | R$ 666.848 |
| 8 | Goiás | 1.395.550 | R$ 545,46 bi | R$ 390.858 |
| 9 | Bahia | 1.654.662 | R$ 452,87 bi | R$ 273.694 |
| 10 | Mato Grosso | 828.233 | R$ 324,65 bi | R$ 391.980 |
| 11 | Pernambuco | 1.104.466 | R$ 297,50 bi | R$ 269.363 |
| 12 | Ceará | 958.715 | R$ 290,96 bi | R$ 303.491 |
| 13 | Espírito Santo | 808.410 | R$ 281,06 bi | R$ 347.670 |
| 14 | Mato Grosso do Sul | 614.917 | R$ 261,74 bi | R$ 425.644 |
| 15 | Pará | 893.539 | R$ 177,92 bi | R$ 199.119 |
| 16 | Amazonas | 469.104 | R$ 155,48 bi | R$ 331.435 |
| 17 | Paraíba | 459.384 | R$ 106,00 bi | R$ 230.744 |
| 18 | Maranhão | 622.922 | R$ 93,25 bi | R$ 149.693 |
| 19 | Tocantins | 248.973 | R$ 90,27 bi | R$ 362.566 |
| 20 | Sergipe | 285.762 | R$ 87,73 bi | R$ 307.017 |
| 21 | Rio Grande do Norte | 423.525 | R$ 86,96 bi | R$ 205.321 |
| 22 | Rondônia | 294.128 | R$ 85,07 bi | R$ 289.227 |
| 23 | Alagoas | 352.772 | R$ 72,65 bi | R$ 205.939 |
| 24 | Piauí | 351.186 | R$ 57,57 bi | R$ 163.933 |
| 25 | Acre | 105.148 | R$ 20,74 bi | R$ 197.254 |
| 26 | Roraima | 92.744 | R$ 13,45 bi | R$ 145.054 |
| 27 | Amapá | 105.535 | R$ 8,16 bi | R$ 77.300 |
| # | município | declarantes | bens | média bens | renda total |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Curitiba | 705.017 | R$ 676,6 bi | R$ 959.753 | R$ 141,6 bi |
| 2 | Londrina | 164.096 | R$ 96,5 bi | R$ 588.163 | R$ 27,4 bi |
| 3 | Maringá | 134.783 | R$ 81,4 bi | R$ 603.718 | R$ 22,7 bi |
| 4 | Cascavel | 97.684 | R$ 71,9 bi | R$ 735.691 | R$ 15,2 bi |
| 5 | São José dos Pinhais | 92.746 | R$ 59,7 bi | R$ 643.770 | R$ 9,0 bi |
| 6 | Ponta Grossa | 93.239 | R$ 45,9 bi | R$ 491.834 | R$ 11,7 bi |
| 7 | Foz do Iguaçu | 73.965 | R$ 29,0 bi | R$ 391.860 | R$ 10,1 bi |
| 8 | Toledo | 43.282 | R$ 21,9 bi | R$ 505.464 | R$ 6,2 bi |
| 9 | Guarapuava | 41.499 | R$ 20,8 bi | R$ 500.820 | R$ 6,3 bi |
| 10 | Umuarama | 25.157 | R$ 14,9 bi | R$ 591.093 | R$ 3,7 bi |
| 11 | Pato Branco | 27.119 | R$ 14,7 bi | R$ 543.824 | R$ 4,5 bi |
| 12 | Pinhais | 36.991 | R$ 13,5 bi | R$ 364.867 | R$ 4,6 bi |
| 13 | Ibiporã | 11.253 | R$ 13,3 bi | R$ 1 mi | R$ 1,1 bi |
| 14 | Campo Mourão | 25.400 | R$ 12,4 bi | R$ 489.620 | R$ 3,6 bi |
| 15 | Arapongas | 27.304 | R$ 12,4 bi | R$ 453.023 | R$ 3,5 bi |
| 16 | Araucária | 39.753 | R$ 10,8 bi | R$ 272.328 | R$ 4,5 bi |
| 17 | Francisco Beltrão | 23.951 | R$ 9,5 bi | R$ 398.474 | R$ 3,0 bi |
| 18 | Apucarana | 26.604 | R$ 9,5 bi | R$ 356.397 | R$ 3,0 bi |
| 19 | Paranavaí | 19.342 | R$ 8,8 bi | R$ 452.692 | R$ 2,8 bi |
| 20 | Cianorte | 17.050 | R$ 8,7 bi | R$ 508.006 | R$ 2,3 bi |
| # | município | declarantes | bens por declarante | bens totais |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Douradina | 2.033 | R$ 1 mi | R$ 2,6 bi |
| 2 | Ibiporã | 11.253 | R$ 1 mi | R$ 13,3 bi |
| 3 | Curitiba | 705.017 | R$ 959.753 | R$ 676,6 bi |
| 4 | Quatro Barras | 6.254 | R$ 941.700 | R$ 5,9 bi |
| 5 | Cascavel | 97.684 | R$ 735.691 | R$ 71,9 bi |
| 6 | Cidade Gaúcha | 2.364 | R$ 693.336 | R$ 1,6 bi |
| 7 | Sertanópolis | 3.639 | R$ 665.543 | R$ 2,4 bi |
| 8 | São José dos Pinhais | 92.746 | R$ 643.770 | R$ 59,7 bi |
| 9 | Mamborê | 2.704 | R$ 629.484 | R$ 1,7 bi |
| 10 | Entre Rios do Oeste | 1.217 | R$ 617.877 | R$ 752,0 mi |
| 11 | Maringá | 134.783 | R$ 603.718 | R$ 81,4 bi |
| 12 | Umuarama | 25.157 | R$ 591.093 | R$ 14,9 bi |
| 13 | Londrina | 164.096 | R$ 588.163 | R$ 96,5 bi |
| 14 | Japurá | 1.659 | R$ 568.679 | R$ 943,4 mi |
| 15 | Maripá | 1.544 | R$ 568.641 | R$ 878,0 mi |
| 16 | Primeiro de Maio | 1.993 | R$ 559.746 | R$ 1,1 bi |
| 17 | Palmas | 7.738 | R$ 556.426 | R$ 4,3 bi |
| 18 | São Jorge do Ivaí | 1.222 | R$ 552.644 | R$ 675,3 mi |
| 19 | Bela Vista do Paraíso | 2.699 | R$ 549.361 | R$ 1,5 bi |
| 20 | Tupãssi | 1.551 | R$ 546.837 | R$ 848,1 mi |
| objeto | cenário conservador | cenário base | cenário superior |
|---|---|---|---|
| HNWI Paraná | 386 mil × share PR renda | Ponto central entre proxies | 386 mil × share PR bens |
| HNWI Curitiba | Brasil × share PR renda × share CWB declarantes | Brasil × share PR bens × share CWB renda | Brasil × share PR bens × share CWB bens |
| UHNW Paraná | 5.808 × share PR renda | Média dos três proxies estaduais | 5.808 × share PR bens |
| UHNW Curitiba | PR conservador × share CWB declarantes | PR médio × share CWB renda | PR superior × share CWB bens |
| Private Paraná | R$ 2,63 tri × share PR renda | Média renda/bens | R$ 2,63 tri × share PR bens |
| Private Curitiba | PR conservador × share CWB declarantes | PR médio × share CWB renda | PR superior × share CWB bens |
| domínio | dados possíveis | fontes | acesso | frequência |
|---|---|---|---|---|
| Patrimônio global | HNWI/UHNW por país, região, cidade selecionada, wealth totals | UBS, Altrata, Knight Frank, Capgemini | Parte pública + relatórios pagos | Anual |
| Bilionários | Contagem, nomes, patrimônio estimado, setor, país | Forbes, Bloomberg | Público / comercial | Contínuo/anual |
| IRPF Brasil | Renda, bens, exterior, dividendos, herança, VGBL, dívida por UF/município | Receita Federal | Público agregado | Anual |
| Investimentos PF | Estoque por varejo, alta renda, private e classe de ativos | ANBIMA | Público agregado | Mensal/anual |
| Fundos/gestores | Patrimônio de fundos, FIPs, family offices registrados, gestores | CVM, ANBIMA | Público | Diário/mensal |
| Empresas abertas | Acionistas relevantes, remuneração, dividendos, M&A, fatos relevantes | CVM, B3 | Público | Contínuo |
| Empresas fechadas | Sócios, capital, setor, filiais, alterações societárias | Juntas, Receita/CNPJ, bases comerciais | Público parcial / pago | Contínuo |
| Comércio exterior | Exportações/importações por empresa/setor/município | Comex Stat e bases privadas | Público agregado | Mensal |
| Agro | Produção, valor, propriedades/área agregada, crédito, cadeias | IBGE, MAPA, CNA, Deral, Incra | Público agregado | Anual |
| Imóveis | Preço anunciado/transacionado, lançamentos, vendas, estoque, luxo | ADEMI, Brain, FipeZAP, registros/plataformas | Misto | Mensal/trimestral |
| Crédito | Carteiras, juros, endividamento, financiamento imobiliário | BCB, registradoras, instituições | Agregado | Mensal |
| Family offices | Existência, equipe, tese, estrutura, governança | Bases comerciais + pesquisa proprietária | Limitado | Contínuo |
| M&A / liquidez | Aquisições, exits, captações, vendas de empresas | TTR, Mergermarket, PitchBook, imprensa | Pago + público | Contínuo |
| Private equity / VC | Fundos, investimentos, exits, tickets | ABVCAP, PitchBook, Preqin, CVM | Misto | Trimestral/anual |
| Filantropia | Institutos, fundações, doações, causas | GIFE, Censo, websites, pesquisa | Público parcial | Anual |
| Educação internacional | Fluxos, escolas, universidades, intercâmbio premium | UNESCO, ICEF, instituições e pesquisa | Misto | Anual |
| Aviação executiva | Frota, registros de aeronaves, movimentação agregada | ANAC, aeroportos, bases especializadas | Público parcial | Mensal/anual |
| Iates / náutica | Registros, marinas, vendas, fabricantes | Marinha + mercado privado | Limitado | Anual |
| Arte e coleções | Leilões, feiras, preços públicos, galerias | Artprice, Artnet, leiloeiros | Pago + público | Contínuo |
| Hospitality premium | Diárias, ocupação, restaurantes, clubes, eventos | STR, hotéis, plataformas, pesquisa | Pago/parcial | Mensal |
| Mobilidade global | Migração de milionários, residência/cidadania por investimento | Henley/New World Wealth, governos | Proprietário/agregado | Anual |
| Redes de relacionamento | Conselhos, associações, eventos e conexões consentidas | CRM e pesquisa proprietária | Proprietário | Contínuo |
| Comportamento | Preferências, causas, prioridades, experiências, sucessão | Survey e entrevistas proprietárias | Proprietário | Semestral/anual |
| termo | definição |
|---|---|
| AUM | Assets under management. Ativos sob gestão. |
| Affluent | Termo comercial para cliente afluente. Não possui corte universal. |
| Family office | Estrutura dedicada à gestão integrada dos assuntos financeiros e não financeiros de uma família de grande patrimônio. |
| HNWI | High-net-worth individual. Neste estudo, o corte depende da fonte e deve ser sempre acompanhado da metodologia. |
| Investable assets | Ativos financeiros/investíveis disponíveis para gestão, normalmente excluindo residência principal e bens de uso. |
| Net worth | Patrimônio líquido: ativos menos passivos. A composição varia segundo a fonte. |
| Private banking | Segmento bancário/wealth voltado a clientes de alto patrimônio. Para a ANBIMA, private considera clientes com mais de R$ 5 milhões investidos. |
| UHNW / UHNWI | Ultra-high-net-worth individual. Usualmente patrimônio acima de US$ 30 milhões. |
| VHNW | Very-high-net-worth. A Altrata utiliza a faixa de US$ 5 milhões a US$ 30 milhões. |
| Wealth intelligence | Mercado de dados, pesquisa e inteligência sobre criação, distribuição e comportamento da riqueza. |
| Next gen | Geração seguinte em famílias empresárias ou patrimoniais, potencial herdeira de ativos e responsabilidades. |
| Great wealth transfer | Expressão usada para a transferência intergeracional de grandes volumes de patrimônio nas próximas décadas. |
| TAM | Total addressable market. Mercado total endereçável. |
| Proxy | Indicador indireto utilizado para aproximar uma variável que não é observável diretamente. |
Receita Federal do Brasil. Grandes Números do IRPF 2025 — ano-calendário 2024. Tabelas e metadados. Atualizado em 30/03/2026.
UBS. Global Wealth Report 2026.
UBS. Global Family Office Report 2026.
Altrata. World Ultra Wealth Report 2026 / The Ultra Wealthy: Scale, Growth, and Global Influence.
Capgemini Research Institute. World Wealth Report 2025 e 2026.
Knight Frank. The Wealth Report 2026 / Wealth Sizing Model 2026.
Forbes. World's Billionaires 2026.
Forbes Brasil. Lista Bilionários Forbes 2026: Recordes na Participação e no Patrimônio dos Brasileiros.
ANBIMA. Investimento dos brasileiros cresce 15,5% e atinge a marca de R$ 8,5 trilhões em 2025. 24/02/2026.
Henley & Partners. Private Wealth Migration Report 2026.
FGV Social. Mapa da Riqueza no Brasil. 2023.
EU Tax Observatory. Palomo et al. Tax Progressivity and Inequality in Brazil: Evidence from Integrated Administrative Data. 2025.
ADEMI-PR. Mercado imobiliário de Curitiba mantém valorização com queda no estoque e perspectivas para novos lançamentos. 2025.
Lipovetsky, Gilles; Roux, Elyette. O luxo eterno: da idade do sagrado ao tempo das marcas.
Lipovetsky, Gilles; Serroy, Jean. A estetização do mundo: viver na era do capitalismo artista.
Todos os cálculos locais foram produzidos a partir do arquivo oficial GN_IRPF_AC2024.xlsx disponibilizado pela Receita Federal e podem ser reproduzidos. Os números foram arredondados apenas na apresentação. As estimativas de HNWI/UHNW/private não estão no arquivo da Receita e são modelos deste estudo, documentados no apêndice A5.
Uma segunda edição pode ganhar precisão com dados que hoje estão dispersos, são comerciais ou exigem pesquisa primária — ver a agenda de pesquisa 2.0 na seção 11. Esta versão deve atualizar automaticamente quatro âncoras quando novas edições forem publicadas: UBS Global Wealth Report, Knight Frank Wealth Sizing Model, ANBIMA distribuição PF e Grandes Números do IRPF. Como os relatórios internacionais revisam metodologia, séries históricas precisam ser recompostas com cautela.
Data de corte editorial: 31 de julho de 2026. Informações publicadas depois dessa data não foram incorporadas a esta edição.
um mapa de dados
para decidir com critério.
com a fonte, o ano e a evidência
de cada número à vista.
Este atlas reúne, em um único documento, a escala mundial, a concentração brasileira e a geografia patrimonial de Curitiba e do Paraná. Nenhum número entra sem valor, ano, fonte e classe de evidência, e as estimativas aparecem como estimativas, com as premissas ditas em voz alta.
A conclusão que atravessa as quatorze seções é geográfica: a riqueza brasileira é mais concentrada do que as médias sugerem, e a concentração tem endereço. Dois terços dos ativos que o Paraná declara no exterior pertencem a residentes de uma única cidade.
Pesquisa da frente OFÍCIO — amano, publicada em agosto de 2026. Quatorze seções, quatro geografias, três cenários e apêndices completos de consulta. Estudo de inteligência de mercado: não constitui aconselhamento financeiro, fiscal, jurídico ou de investimentos.
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